Famurs reúne personalidades da política para debater a gestão pública no pós-pandemia

Famurs reúne personalidades da política para debater a gestão pública no pós-pandemia

Debate com Rodrigo Maia, Tarso Genro e Gilmar Mendes foi o primeiro de uma série de cinco encontros virtuais

Christian Bueller

Debate com Rodrigo Maia, Tarso Genro e Gilmar Mendes foi o primeiro de uma série de cinco encontros virtuais

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Na estreia do projeto virtual “Ciclo de Grandes Debates sobre o Municipalismo e Desafios da Gestão nos Novos Tempos”, a Famurs recebeu o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; o ex-governador do Estado, Tarso Genro; e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O tema foi “O Brasil pode combater os efeitos da pandemia com ação política, democracia e fortalecimento das instituições”.

Mediado pelo presidente da Famurs, Maneco Hassen, o encontro começou com Tarso, que lamentou a instabilidade do momento político do país. “Temos um Poder Executivo federal que continuamente gera um processo de desarmonia e um esforço dos demais poderes em tentar equilibrar”, afirmou. O ex-governador sugere como tratar as questões orçamentárias e políticas pós-pandemia.

“A partir da perspectiva de um processo onde sejam inseridos os municípios, um plano especial de contingência para cidades desde as grandes regiões metropolitanas até as que têm recursos escassos”, propõe. Tarso ressaltou que a gestão federal atual, ao contrário das anteriores, não dialoga com todos os setores da população. “Mesmo que tivessem ideologias diferentes, todos os presidentes até aqui tentaram fazer isso. O de agora fala com alguns e mostra ‘arminha’ para outros”, opinou.

O presidente da Câmara acredita que a falta de articulação nacional entre os municípios contribuiu para afetá-los durante a pandemia. “Nos estados, no entanto, se mostraram unidos”, acrescentou. Maia demonstrou preocupação com o futuro próximo, quando os auxílios do governo federal terminarem. “O governo federal não vai conseguir bancar todos os programas que criou por muito tempo. Temos que cuidar os próximos passos para podermos garantir que municípios continuem atendendo a população, sabendo que teremos um passivo que é maior do que a recuperação econômica prevista”, frisou.

Para ele, o pós-pandemia será tão complicado quanto o período da crise sanitária global. “Se a economia cair 5% neste ano e crescer 2% no próximo, os municípios e estados terão muitas dificuldades para organizar as contas em 2021”, pontuou.

Gilmar Mendes corroborou com Tarso e Maia sobre uma pergunta a respeito do papel das fake news nas próximas eleições. “É algo que, infelizmente, ocorre no mundo atualmente. Respeitamos a liberdade de expressão, mas temos que buscar o equilíbrio no respeito à democracia e à dignidade do ser humano”, falou. O ministro do STF salientou que a pandemia evidenciou uma desigualdade que o país já demonstrava ter.

“Muitas pessoas não têm condições de seguir os protocolos. Nas favelas, se perguntam ‘como vou fazer isolamento se vivo em uma casa de quarto e sala?’ É chocante. É preciso criar empregos, mas também trabalhos, que são coisas diferentes”, afirmou. Ele acredita que os poderes precisam chegar a um consenso básico para o país avançar.

Ao todo, serão cinco encontros virtuais da Famurs com a participação de personalidades das áreas das Ciências, Sociedade, Saúde, Artes e Política.


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