Governo pode ajudar mais Estados e cidades se salário de servidores for congelado

Governo pode ajudar mais Estados e cidades se salário de servidores for congelado

Ministro da Economia, Paulo Guedes, não quer que ajuda "vire farra eleitoral"

AE

Paulo Guedes quer "congelamento de salários" de servidores para ajudar os Estados

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O governo negocia com senadores aumentar o auxílio financeiro a Estados e municípios para o combate à pandemia da Covid-19 em troca do congelamento do salário dos servidores públicos estaduais e municipais por dois anos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira, que a maioria dos senadores concorda em estabelecer tal condição. "Se houver contrapartida de Estados, não faz mal subir a ajuda. Todos sabem que não pode virar uma farra eleitoral", afirmou, em "live" organizada pelo BTG Pactual.

Guedes disse ainda que seria "irresponsabilidade" assinar o projeto de auxílio como aprovado na Câmara, que não estabelece limites para a compensação da União às perdas arrecadatórias dos entes federativos. O cálculo do governo é que o projeto teria impacto de R$ 93 bilhões caso a perda de arrecadação do ICMS (imposto estadual) e do ISS (municipal) fosse de 30% na comparação deste ano com o de 2019. "Como vou assinar algo que pode levar o Brasil a moratória, quebrar a União?"

O ministro voltou a defender que todo o funcionalismo público fique dois anos sem reajuste de salário. "Isso é a contrapartida que tem de ser dada durante a crise. Em meio à pandemia, com pessoas perdendo emprego, será que o funcionalismo poderia contribuir?", afirmou.

Embora integrantes da equipe econômica defendam publicamente o congelamento dos salários, o governo não mandou ao Congresso Nacional essa proposta para os servidores federais.

“Democrata”

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro participar de atos que pediam intervenção militar no Brasil, o ministro da Economia disse que o mandatário "é um democrata". "O presidente se tiver passeata com bandeira do Brasil ele entra, repete gritos de guerra da época da campanha. Mas o presidente é um democrata", afirmou.

Depois de notícias de que o projeto de auxílio aos Estados teria provocado o rompimento de Guedes com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ministro disse ontem que "não está brigando com ninguém". "Não estou brigando e não quero brigar com ninguém. Tenho as mãos estendidas", afirmou.

Guedes disse ainda que a recuperação da economia brasileira após a crise do novo coronavírus, será em "V", com retomada tão rápida quanto a queda. "Vamos surpreender o mundo." Para o ministro, a crise ainda não desorganizou a economia, apesar do impacto "muito forte".

Após a troca no comando do Ministério da Saúde, Guedes defendeu que Bolsonaro pode fazer trocas no comando dos ministérios se houver uma "grande divergência" em relação ao que fazer durante o combate à pandemia. "Se houver divergência de opinião exacerbada, não é o ministro que escolhe o presidente, é o presidente que escolhe o ministro, e não significa nenhum desapreço ao aspecto de preservar vidas", disse.

O ministro defendeu que alguns setores da economia podem manter um certo distanciamento social, com proteção adequada aos trabalhadores, mas sem propriamente adotar o isolamento social para que o sistema econômico possa continuar funcionando, com abastecimento de comida e outros serviços essenciais.


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