GSI diz que pastores foram ao Planalto 35 vezes, mas ignora encontro com Bolsonaro

GSI diz que pastores foram ao Planalto 35 vezes, mas ignora encontro com Bolsonaro

Dados divulgados pelo órgão do governo não mostram que os suspeitos de pedir propina no MEC conversaram com o presidente

R7

Os dois teriam participado de um suposto esquema de tráfico de influência no Ministério da Educação

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O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República divulgou um documento nesta quinta-feira com a quantidade de visitas feitas pelos pastores Arilton Moura Correia e Gilmar Silva dos Santos ao Palácio do Planalto. Os dois teriam participado de um suposto esquema de tráfico de influência no Ministério da Educação e são suspeitos de terem pedido propina a prefeitos em troca da liberação de verbas públicas aos municípios.

O documento com a relação das visitas mostra que Arilton e Gilmar participaram de 35 audiências na sede do governo federal. Elas aconteceram no próprio GSI, na Casa Civil, na Secretaria de Governo, na Secretaria-Geral da Presidência da República e no gabinete do vice-presidente Hamilton Mourão. O órgão, contudo, omitiu que os pastores já estiveram no gabinete do presidente Jair Bolsonaro e até tiraram foto com ele.

A lista apresentada pelo GSI não informa um evento que aconteceu em 18 de outubro de 2019, quando Bolsonaro recebeu integrantes da CONIMADB (Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil Cristo Para Todos), instituição presidida por Gilmar. Na ocasião, Arilton e ele dividiram o palco com o presidente e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos.

Na relação do GSI, os líderes religiosos começaram a frequentar a sede do governo federal em 2019. O primeiro a visitar o Planalto foi Arilton, em 16 de janeiro, apenas 15 dias depois de Bolsonaro tomar posse. Ele, inclusive, foi o que mais esteve no Palácio. Das 35 reuniões informadas pelo GSI, Arilton participou de todas. Gilmar esteve em 10, mas sempre acompanhado pelo colega.

Alguns dos encontros com integrantes da Presidência aconteceram mesmo depois de o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro ter acionado a CGU (Controladoria-Geral da União), em agosto do ano passado, para relatar as suspeitas de participação indevida dos pastores na pasta. Desde aquele mês, a Casa Civil recebeu Arilton seis vezes: em 21 de setembro, 2 de dezembro, 8 de dezembro (duas vezes), 8 de fevereiro e 16 de fevereiro.

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