"Jamais ofendi o povo chinês e não desejamos problemas com a China", diz Eduardo Bolsonaro

"Jamais ofendi o povo chinês e não desejamos problemas com a China", diz Eduardo Bolsonaro

Filho do presidente culpou a China pela pandemia de Covid-19 e enfrentou uma repercussão imediatamente negativa

AE

Eduardo tinha comparado o coronavírus com o desastre nuclear de Chernobyl

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Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou, nesta quinta-feira, que jamais ofendeu o povo chinês e que o Brasil não quer problemas com o país asiático. Foi um recuo do filho do presidente Jair Bolsonaro após criar uma crise diplomática entre os países.

Na quarta, Eduardo culpou a China pela pandemia de coronavírus e enfrentou uma repercussão imediatamente negativa.

"Jamais ofendi o povo chinês", diz Eduardo em nota. "Esclareço que compartilhei postagem que critica a atuação do governo chinês na prevenção da pandemia, principalmente no compartilhamento de informações que teriam sido úteis na prevenção em escala mundial."

Além de culpar a China pela pandemia, Eduardo tinha comparado o coronavírus com o desastre nuclear de Chernobyl e disse que o governo Xi Jinping, chamado por ele de "ditadura", escondeu a epidemia.

"A comparação entre o coronavírus e a tragédia da usina nuclear de Chernobyl não é novidade. Ambos os casos ocorreram em países cuja a liberdade de expressão e imprensa eram/são limitados pelo governo."

Eduardo minimizou o próprio tuíte ao afirmar não crer que sua publicação pudesse causar problemas entre os dois países.

Filho do presidente, ele causou uma saia-justa entre o Brasil e a China. O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, usou as redes sociais para exigir retratação. Wanming disse que Eduardo tinha ferido a relação amistosa com o Brasil e precisava "assumir todas as suas consequências".

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pediu desculpas ao país e frentes parlamentares repudiaram os comentários de Eduardo.

"Não desejamos problemas com a China e certamente, o país asiático também não busca conflitos com o Brasil", respondeu Eduardo nesta quinta.

"Não creio que um tweet isolado de um parlamentar levantando questionamentos sobre a conduta de um governo estrangeiro tenha condão para tanto, visto que a discussão de pautas globais é prática normal na comunidade internacional, servindo para aperfeiçoamento de políticas de governo ao redor de todo o mundo."

Após o vice-presidente Hamilton Mourão vir a público nesta quinta para dizer que Eduardo não falava pelo governo, o deputado reforçou: "jamais tive a pretensão de falar pelo governo brasileiro, mas devido a toda essa repercussão, despido de qualquer vaidade ou ego, deixo aqui cristalina que minha intenção, mais uma vez, nunca foi a de ofender o povo chinês ou de ferir o bom relacionamento existente entre os nossos países."

Itamaraty

Para o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, a reação do embaixador chinês às declarações de Eduardo foi "desproporcional" e feriu "a boa prática diplomática", de forma que o governo brasileiro espera agora uma retratação por parte do embaixador da China.

Apesar de ter ressalvado que o deputado não "ofendeu o chefe de Estado chinês", Araújo disse também que as críticas do filho do presidente Jair Bolsonaro à China "não refletem a posição do governo brasileiro".


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