Líder do governo e vereadores do PP voltam a trocar farpas
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Líder do governo e vereadores do PP voltam a trocar farpas

Progressistas ficaram mais enfáticos sobre afastamento da base do governo Marchezan

Por
Luiz Sérgio Dibe

Debate aconteceu no Esfera Pública, da Rádio Guaíba, nesta sexta-feira

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Em clima quente no Programa Esfera Pública, vereadores de Porto Alegre expuseram divergências com relação ao relacionamento com o governo do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). O centro dos debates é a tramitação do projeto de revisão sobre a planta do IPTU e a motivação, a recente ruptura entre o tucano e o Partido Progressista, que compunha a base do governo na Câmara e, agora, promete postura independente e crítica dos seus integrantes acerca de temas com os quais a sigla se identifica, como são as revisões tributárias.

"A Câmara não pode ficar três, quatro meses discutindo um requerimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O PP não quer ouvir a verdade, mas o que está acontecendo é que vereadores progressistas estão postergando uma decisão importante para o governo e para a comunidade porto-alegrense", acusou o líder do governo municipal no Legislativo, vereador Mauro Pinheiro (Rede).

Revisão do IPTU voltou a acirrar ânimos 

Interlocutor entre o Paço e a Câmara, Pinheiro apontou a presidente da Casa, vereadora Mônica Leal (PP) e o presidente da CCJ, vereador Ricardo Gomes (PP), como responsáveis pelo atraso na apreciação de um requerimento que pode conduzir a revisão do IPTU de volta ao plenário para conclusão das votações. Embora tenha sido aprovada em abril, a votação sobre a matéria foi contestada em maio.

"Um presidente de Poder Legislativo não pode ficar esperando 90 dias por um parecer. Isso é incompetência, é incompetência", declarou, repetidamente e em voz alta, Mauro Pinheiro.

A reação veio, de pronto e com força semelhante, na fala do vereador Ricardo Gomes. "O senhor é o exemplo do diálogo praticado pelo governo Marchezan. Deve estar convivendo demais com o prefeito", retrucou.

Gomes disse aos jornalistas Juremir Machado da Silva e Taline Oppitz, que comandavam o programa no Estúdio Cristal, que não é recebido pelo prefeito há mais de um ano. "Marchezan se negou de receber a executiva do PP. Reduziu espaços de participação dos progressistas no governo. Tem ordenado exonerações injustas de pessoas que indicamos. Poderia ter recebido nossas lideranças para discutir seus projetos. Poderia ter deixado de vincular cargos ao relacionamento com os vereadores. Se tivesse feito isso, a relação não teria estourado, como estourou", comentou.

Crise foi agravada recentemente 

A crise entre o prefeito e os aliados, que culminou com a declaração de ruptura pelo PP nos últimos dias, teve episódios marcantes desde o ano passado com o início das discussões sobre a revisão do IPTU e ganhou intensidade quando, em abril, apenas um dos quatro integrantes da bancada progressista votou favorável à matéria. O posicionamento divergente de parte dos vereadores teria sido encarado como uma afronta pelo prefeito.

Desde então, reclamam os progressistas, teriam ocorrido exonerações sistemáticas entre seus quadros cedidos para cargos na Prefeitura. As demissões foram consideradas como uma retaliação. No começo de julho, cartas foram trocadas entre dirigentes do PP e do PSDB, apontando formalmente os descontentamentos e expondo o desgaste na relação, ao ponto que o prefeito passou a sustentar publicamente que o Partido Progressista não faz mais parte de seu governo.

Nos últimos dias, os progressistas passaram a ser mais enfáticos sobre seu afastamento da base do governo, por vezes, mencionando a possibilidade de adotarem, eventualmente, postura de oposição em votações na Câmara. Mais tarde, em atmosfera de oficialidade, representantes do partido optaram pela declaração de postura independente. 

Numa entrevista à Rádio Guaíba, Marchezan analisou o movimento dos ex-aliados com tom de ironia. "Teremos um avanço. Há umas duas ou três semanas o PP já era oposição. Se ele virar independente, vai ser melhor”, desferiu o prefeito, respondendo pergunta do repórter Lucas Rivas.