Política

Leite: uso eleitoral da vacina "é imoral, oportunista e antiético"

Após repercussão negativa, governador buscou esclarecer conversa com Doria sobre início da campanha

Após repercussão negativa, governador buscou esclarecer conversa com Doria sobre início da campanha
Após repercussão negativa, governador buscou esclarecer conversa com Doria sobre início da campanha Foto : Felipe Dalla Valle/ Palácio Piratini/ CP

A forte repercussão nas redes sociais, internamente no PSDB e de adversários, fez com que o governador Eduardo Leite voltasse a negar publicamente que tivesse pedido ao governador paulista, João Doria, seu adversário nas prévias tucanas, que adiasse o início da vacinação contra a Covid-19. Em coletiva, Leite considerou que o uso eleitoral da vacina é "imoral, oportunista, antiético e mesquinho", em um possível recado ao colega Doria, que chegou a ser chamado "pai da vacina". 

Enfatizou que "jamais faria um pedido dessa natureza no Brasil", em relação ao possível pedido de adiamento. Leite esclareceu que o momento da conversa era de "estresse" de cunho político em relação à vacinação e também do negacionismo. "Foi um esforço de conciliação política para dar a largada", pontuou. E complementou dizendo ser evidente que "houve um interesse político" na divulgação da conversa. 

A tensão acirra ainda mais o clima para as prévias, marcadas para domingo, que definirá o candidato do partido à presidência da República. O assunto veio à tona na quarta-feira, com publicação de uma reportagem, na qual, Leite diz ter conversado com Doria, dois dias antes da autorização da Anvisa para o início da vacinação contra a Covid-19, em janeiro deste ano. 

Entenda o caso

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Leite ligou para Doria, no dia 15 de janeiro de 2021, e teria repassado uma manifestação do então chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, para que a vacinação fosse coordenada nacionalmente. A conversa foi publicada como um pedido de adiamento da vacinação. O que o governador gaúcho negou. 

Dois dias depois da conversa, em 17 de janeiro, a Anvisa deu autorização para que a Coronavac, que teve a articulação do Instituto Butantan, do governo paulista, fosse utilizada no Brasil. No mesmo dia, Doria deu início à aplicação do imunizante, assumindo a dianteira na campanha. No Rio Grande do Sul, a primeira dose foi aplicada no dia seguinte, 18 de janeiro.