Maia afirma que não quer ser presidente "enquanto as contas públicas não forem organizadas"

Maia afirma que não quer ser presidente "enquanto as contas públicas não forem organizadas"

Presidente da Câmara argumentou que uma reforma que apenas simplifique os impostos manterá a carga tributária ainda muito elevada.

Por
AE

Maia afirmou que no momento "está bem como deputado"


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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira, que não pretende se candidatar à Presidência da República enquanto as contas públicas do País não forem organizadas. O parlamentar, que participou de evento organizado pelo Brasil de Ideias, fez a afirmação ao responder uma pergunta da plateia sobre qual seria o seu futuro político. "O futuro a Deus pertence. Estou bem como deputado", disse acrescentando que tem visto as agruras dos presidentes, governadores e prefeitos que "apanham" todos os dias da sociedade e que não quer isso. "Não quero ser (do poder) Executivo enquanto as contas públicas não forem organizadas", enfatizou, arrancando risadas da plateia.

Maia também argumentou que uma reforma que apenas simplifique os impostos manterá a carga tributária ainda muito elevada. Ele destacou que a referência da proposta apresentada pelo economista Bernard Appy é muito positiva. Ainda de acordo com o parlamentar, o caminho para o Brasil é o da organização dos impostos de bens e serviços. O presidente da Câmara criticou durante o evento os altos salários nas esferas governamentais e disse que os salários de alguns servidores do Executivo superam em 67% os salários.

"A Câmara, sem os deputados, custa ao Brasil R$ 4,5 bilhões por ano", disse Maia, para quem é preciso que a sociedade passe a ter conhecimento da estrutura salariais no setor público. Para ele, se muitas das pessoas que hoje são contra a privatização da Eletrobras conhecessem a estrutura salarial da estatal certamente apoiariam a privatização da empresa. Considerou que o Parlamento continua esperando que o governo envie a sua proposta de reforma tributária. De acordo com ele, seria muito positivo ter uma proposta do Executivo à mesa para ser discutida.


Perguntado sobre quais são suas impressões sobre o pacto federativo, defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, Maia disse que "pacto federativo é organizar melhor as atividades dos entes federativos e desindexar as despesas públicas". Ele voltou a dizer que o momento não é o adequado para se discutir a flexibilização do teto dos gastos, discussão que ganhou muita força nos últimos dias como sendo a solução para o governo passar a ter recursos para investir. "Acho que só deveríamos discutir o teto dos gastos depois que controlarmos as despesas".