Maioria da população apoia soltura de Lula, aponta Datafolha
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Maioria da população apoia soltura de Lula, aponta Datafolha

Ex-presidente foi liberto após decisão do STF em novembro

Por
Correio do Povo

Lula foi solto em 8 de novembro

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A maior parte da população considera justa o fato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido solto em novembro. É o que revela a mais recente pesquisa do Datafolha, publicada nesta terça-feira no jornal Folha de São Paulo. De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados concordam que a medida foi justa. Por outro lado, 42% consideram a decisão injusta e 5% afirmaram não saber a resposta.

O Datafoha realizou entrevistas com 2.498 pessoas entre 5 e 6 de dezembro, em 176 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Apoio por idade e regiões

Lula tem maior apoio entre jovens de 16 a 24 anos. Nesta faixa etária, 61% consideram justa a sua soltura. O quadro mais favorável muda quando é feito um recorte de renda. Dos que têm poder aquisitivo maior, 59% não concordam com a libertação.

Dentre as cinco regiões do Brasil, o ex-presidente tem maior apoio no Nordeste, pois 71% das pessoas que vivem na região apoiam a soltura. Já no Sul e Sudeste, o apoio diminui para 49% e 47%, respectivamente.

O levantamento também levou em conta a confiança da população acerca das declarações de Lula. Nesta área, 25% disseram sempre confiar nas falas do ex-presidente, 37% nunca confiam e 36% acreditam às vezes nas afirmações.

Processos

Depois de 580 dias, Lula foi solto no dia 8 de novembro, após uma votação apertada no Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou que a partir da data réus não presos preventivamente devem responder às acusações em liberdade até o chamado trânsito em julgado, quando são esgotadas todas as possibilidades de reaver o processo. A decisão da Corte provocou reações na Câmara e no Senado de parlamentares que não concordam com o entendimento. 

Lula teve a condenação confirmada em segunda instância pelo Tribunal Federal da 4ª região (TRF-4) e também no Supremo Tribunal da Justiça (STJ) no caso do triplex do Guarujá. No processo, o ex-presidente é acusado de receber vantagens indevidas para manter o apartamento, que somam R$ 3,7 milhões. Até o presente momento a pena está em oito anos, dez meses e 20 dias.

Em outro processo, Lula foi condenado em segunda instância recentemente pelo TRF-4 por unanimidade no caso do sítio Atibaia. Neste processo, a condenação é maior: 17 anos, um mês e dez dias.

Na ação, o ex-presidente é acusado de fazer parte de um esquema ilícito envolvendo propinas com as construtoras Odebrecht e OAS em troca de vantagens contratuais que somam R$ 870 mil. O ex-chefe de Estado também responde na Justiça por outras seis ações penais, distribuídas entre São Paulo, Paraná e Distrito Federal.

Lula também era réu no caso nomeado de "quadrilhão do PT", mas foi absolvido pela Justiça na última semana, junto com a também ex-presidente Dilma Rousseff. Devido aos processos, Lula não pode se candidatar a presidente nas eleições presidenciais de 2022, pois não está enquadrado na Lei de Ficha Limpa.