MEC estuda tirar dinheiro de áreas de humanas, diz Bolsonaro
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MEC estuda tirar dinheiro de áreas de humanas, diz Bolsonaro

Presidente argumentou que governo quer focar em áreas que gerem retorno ao contribuinte

Por
AE

Declaração de Bolsonaro foi feita no Twitter


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O presidente Jair Bolsonaro disse na manhã desta sexta-feira que o governo deve "descentralizar" recursos para áreas de humanas, como filosofia e sociologia, em universidades. Segundo ele, o objetivo é "focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte", como Veterinária, Engenharia e Medicina. A informação foi dada pelo Twitter.

A mensagem dizia ainda que a ideia é um plano do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que recentemente criou uma conta na rede social. Em um segundo post, logo em seguida, o presidente afirmou que "a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte".
 

 


Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Weintraub já havia feito críticas ao investimento em áreas de humanas, dizendo que o filho de um agricultor deveria estudar áreas como Veterinária e Medicina, em vez de Antropologia.

"Precisamos escolher melhor nossas prioridades porque nossos recursos são escassos. Não sou contra estudar filosofia, gosto de estudar filosofia. Mas imagina uma família de agricultores que o filho entrou na faculdade e, quatro anos depois, volta com título de antropólogo?"

O Ministério da Educação (MEC) envia recursos para as mais de 60 universidades federais do País. A política, se colocada em prática, afetaria principalmente pesquisas nas áreas de humanas. Os professores e pesquisadores podem sofrer corte de bolsas, por exemplo, já que a maioria delas também é controlada por órgãos do MEC.

Esse já era um temor de pesquisadores da área de humanas desde a eleição de Bolsonaro. Sem bolsa, eles não são capazes de fazer pesquisas, primordiais para aprimoramento e para a produção de novos conhecimentos. Weintraub também já disse que é preciso combater o chamado "marxismo cultural" nas universidades. Nesta quinta-feira, 25, o ministro havia dito que iria anunciar medidas "agressivas" em breve.