Melo celebra reabertura parcial, mas avisa que Porto Alegre terá "teste de fogo" no final de semana

Melo celebra reabertura parcial, mas avisa que Porto Alegre terá "teste de fogo" no final de semana

Prefeito reiterou a necessidade de fiscalização das regras sanitárias e convocou reunião do comitê regional para segunda

Correio do Povo

Melo celebra reabertura parcial, mas avisa que Porto Alegre terá "teste de fogo" no final de semana

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O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, comemorou a reabertura parcial da cidade a partir de um decreto publicado durante a semana, em meio a um cenário que ele considera de estabilidade da situação epidemiológica da Covid-19. Em entrevista à Rádio Guaíba, porém, ele disse que a fiscalização será fundamental nos próximos dias. Na avaliação do gestor, a Capital passará por um "teste de fogo" neste final de semana para ver o cumprimento das regras estabelecidas para as flexibilizações. 

"O maior fiscal tem que ser quem opera na cidade. Se um comerciante permitir que o vizinho descumpra, vai estragar o setor dele. A prefeitura tem que fiscalizar, mas que prefeitura no mundo tem funcionários para todas as portas? A fiscalização tem que vir da consciência. Agimos nos locais de foco: tem aglomeração, pegamos pesado. Tem festa clandestina? Pegamos pesado", comentou. 

Entretanto, o gestor municipal apontou que o sinal de alerta sobre a pandemia está ligado. "A cidade voltou a funcionar gradativamente, vivemos uma curva descendente de internações e testagens positivas, mas a situação tem que ser observada a cada dia, a cada hora. Nossas cidades e regiões vizinhas estão aumentando a contaminação, então chamamos uma reunião com o nosso comitê regional para a segunda-feira", explicou.

Conforme painel da Secretaria Municipal da Saúde, a cidade tem desde 8 de maio menos de 400 internados em leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) adulto por Covid-19. Ontem eram 358. Há um mês, em 20 de abril, eram 595  – o ápice foi atingido em 25 de março, quando havia 870 pessoas em tal condição. Já o número de novos casos confirmados está abaixo de 350 desde 27 de abril.

Sobre o decreto editado na quarta-feira que modificou as regras de funcionamento das atividades, Melo disse que ele nasceu a partir de conversas com diferentes setores a partir da mudança do sistema de monitoramento no Rio Grande do Sul – o modelo 3As. "Isso nos deu mais governança. Acredito que isso seja o mais correto, pois fomos eleitos na própria pandemia e estamos mais próximos das cidades", ponderou. No entanto, ele disse que os novos protocolos da cidade não agradaram "as duas pontas". "Tinha uma parcela que queria que abrisse tudo e a outra desejava que fechasse tudo. Fizemos um meio termo onde os bares não poderão ter lotação 100%. Acontece que cidade voltou a trabalhar mais normalmente", completou.

Vacinação

De acordo com o painel de monitoramento da vacinação de Porto Alegre, atualizado diariamente pela prefeitura, 486.271 pessoas receberam a primeira dose contra a Covid-19, o que corresponde a 44,06% da população vacinável. Já aqueles que tiveram a injeção de reforço somam 265.684 (24,07%). Nesta sexta, a Secretaria Municipal da Saúde adicionou pessoas com deficiência permanente com 59 anos ou mais no público prioritário para a vacina contra Covid-19 – o grupo se soma às pessoas com comorbidades a partir de 18 anos.

Conforme Melo, ainda há um estoque pequeno de primeira dose e cerca de 40 mil de segunda. "Só ontem, vacinamos 11 mil pessoas com a segunda dose", comemorou, explicando o sucesso da campanha na Capital. "O SUS tem dois níveis de gestão. No caso de Porto Alegre, desde 1997, já há 24 anos, temos a gestão plena. Se compararmos várias áreas do SUS, temos uma belíssima tradição de vacinação. Ao longo da história, somos muito preparados. E nesse caso temos tido uma parceria com farmácias, hospitais, universidades, exército, há uma comunhão de esforços para que as coisas deem certo".

Ele reconheceu problemas no início do processo. "Houve erros no passado, tanto do município, estado e federal, mas somos todos alunos nessa matéria. Vamos segurar a segunda dose porque erramos uma vez e não vamos fazer de novo. Fomos induzidos ao erro lá atrás, mas podem (autoridades federais) recomendar que não vamos seguir. Imagine o seguinte, o Ministério da Saúde faz orientação, divulga em rede nacional e tu seguras a vacina, as pessoas vão pra porta da prefeitura reclamar", disse.

No entanto, apontou que a falta de vacinas é uma questão mundial. "Parece que sobra vacina lá fora e falta aqui, mas falta no mundo. Todos os países queriam estar 100% vacinados, mas não estão. O Brasil não é um dos piores hoje", concluiu. O País vacinou 8.48% da população geral com as duas doses, considerado por médicos e cientistas o único regime válido para os fármacos em uso no território nacional.

 

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