Mensagens sugerem que Moro achava fraca delação premiada de Palocci
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Mensagens sugerem que Moro achava fraca delação premiada de Palocci

Nova reportagem mostra que o então juiz federal duvidava de provas apresentada pelo ex-ministro da Casa Civil

Por
Correio do Povo

Sérgio Moro tinha dúvida sobre força de delação de Antonio Palocci

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Mesmo com dúvidas sobre a força das supostas provas que o delator Antonio Palocci tinha contra o PT, o então juiz federal Sérgio Moro liberou a divulgação do conteúdo da delação a seis dias das eleições de outubro. As informações são de reportagem da Folha de São Paulo e The Intercept Brasil publicada na manhã desta segunda-feira.

Os diálogos do Telegram, obtidos pelo The Intercept e analisados pela Folha junto com o site, estão sendo divulgados desde 9 de junho. O procurador Paulo Roberto Galvão teria dito a seus colegas num grupo de mensagens do aplicativo, em 25 de setembro do ano passado, que "Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omerta petista", tratando Moro pelo apelido que eles usavam e associando os petistas à Omertà, o código de honra dos mafiosos italianos.

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF) também duvidaram do depoimento do ex-chefe da Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff. Entre outros diálogos, a reportagem cita a afirmação da procuradora Laura Tessler. "Não só é difícil provar, como é impossível extrair algo da delação dele". 

Palocci fechou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal em março do ano passado. Ele recorreu à PF após ver frustrados seus esforços para conseguir um acordo com a Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa à frente da Lava Jato em Curitiba, que negociaram com o ex-ministro durante quase oito meses. 

A troca de mensagens entre os procuradores dá a entender que a delação do petista acrescentava pouco ao que os investigadores já sabiam e não incluía provas para sustentar depoimentos que traziam novidades. Os diálogos, segundo a reportagem, revelam que os procuradores teriam cogitado pedir a anulação do acordo de Palocci com a PF.

Moro divulgou a delação de Palocci no dia 1º de outubro, baseado em delação feita à Polícia Federal, em abril do ano passado. O acordo de Palocci com a PF foi homologado em junho de 2018 pelo juiz João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 

O Ministério Público se manifestou contrário, por não reconhecer a legitimidade da PF para negociar benefícios com colaboradores, mesmo assim Gebran resolveu avalizar o acordo. No depoimento, o ex-ministro disse que Lula autorizou o loteamento da Petrobras pelos partidos que apoiavam o governo e sabia que eles recolhiam propina das empreiteiras que faziam negócios na estatal, como a Odebrecht.