Mourão critica decisão do STF sobre PF: "cada um tem de entender o tamanho de sua cadeira"
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Mourão critica decisão do STF sobre PF: "cada um tem de entender o tamanho de sua cadeira"

Vice-presidente disse que "a Constituição é clara e coloca que os Poderes são independentes e harmônicos"

Por
AE

Vice-presidente participa de live nesta quinta-feira


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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que o que falta no País é cada um saber o "tamanho da sua cadeira". A afirmação foi uma resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de barrar a posse do diretor-geral da Polícia Federal Alexandre Ramagem. O general disse que a decisão do ministro Alexandre de Moraes foi tomada com base na presunção de que ele é próximo da família Bolsonaro. "A Constituição é clara e coloca que os Poderes são independentes e harmônicos", defendeu "live" da qual participa nesta manhã.

Na conversa, com a participação do presidente do Instituto Brasil 200, Gabriel Kanner, Mourão disse que cada Poder tem sua responsabilidade de limites e desde outros governos há interferências do Legislativo e do Judiciário no Executivo. "Cada um tem de entender o tamanho de sua cadeira, é o que falta ao País", apontou. Ele ainda voltou a dizer que "às vezes falta entender que o poder público exauriu sua capacidade de atender os problemas do País, pois está sem recursos".

Ao falar do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o vice-presidente teceu elogios ao ex-juiz condutor da Lava Jato. Mencionou a "aura" de competência que pairava sobre ele. "Não resta dúvida de que no imaginário da população, o trabalho do então juiz Moro foi digno". E continuou: "quando juiz, ele não tinha que responder a um comandante supremo. No Ministério, é preciso responder ao presidente da República."

Mourão argumentou que houve um momento em que essa relação de o ministro ser subordinado ao mandatário não ocorreu, e a saída de Moro se concretizou. "Sua saída pode ter sido um problema pelo que ele representa para a sociedade brasileira. Mas creio que discussões no seio do governo devem continuar ali", criticou. Para ele, o ex-titular da Justiça não deveria ter levado a público as conversas com o mandatário. "Quando expõe diálogos internos do governo, isso não é bom"

Fuga da agenda liberal

O vice-presidente da República disse que ninguém pode fugir da realidade de que a capacidade de investimento do setor púbico está comprometida. "Nosso governo foi eleito na busca de zerar o déficit fiscal em quatro anos e atacar a questão da baixa produtividade. Mas, com a pandemia tudo mudou, o governo está sendo obrigado a reagir fora da plataforma liberal (pregada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes)", comentou sobre ações do governo para superar a atual crise.


A despeito da afirmação, disse que a "plataforma liberal não está derrotada" e será retomada após a pandemia do novo coronavírus.Ele foi contundente ao falar do aumento do funcionalismo que não foi derrubado na aprovação do projeto de socorro aos Estados e municípios. Disse que não haverá dinheiro para isso. "Pessoal (funcionalismo) vai poder ter aumento, mas cadê o dinheiro? Voltaremos à busca do equilíbrio fiscal e das reformas para o Brasil."