"Não se assustem se alguém pedir o AI-5", diz Guedes
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"Não se assustem se alguém pedir o AI-5", diz Guedes

Declaração de ministro da Economia foi dada durante uma entrevista coletiva em Washington, nos Estados Unidos

Por
Correio do Povo

Guedes deu declaração durante entrevista coletiva nos Estados Unidos

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nessa segunda-feira que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil. A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva em Washington, nos Estados Unidos, segundo informações públicadas pelo jornal Folha de São Paulo. 

Em sua manifestação, Guedes falava sobre a convulsão social e institucional em países da América Latina e disse que era preciso prestar atenção nos próximos acontecimentos para ver se o Brasil não conta com qualquer tipo de pretexto para estimular protestos deste tipo. 

"Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses, você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática", disse Guedes. 

Conforme o jornal Folha de São Paulo, o ministro afirmou ainda que as declarações sobre a edição de um novo AI-5, feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro, foi uma reação às "convocações" feitas pela esquerda, que, segundo ele, teriam sido endossadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de ser solto da prisão.  

Guedes ainda chamou de "insanidade" a atitude do ex-presidente de chamar o povo para as ruas para fazer protestos semelhantes aos que aconteceram na Bolívia e no Chile. "Acho uma insanidade chamar o povo para fazer bagunça na rua", resumiu. 

O AI-5

O Ato Institucional nº 5 foi o mais duro instituído pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados. Também suspendeu quaisquer garantias constitucionais, como o direito a habeas corpus. A partir da medida, a repressão do regime militar tornou-se mais dura.

A Constituição de 1988 rejeita instrumentos de exceção e destaca, em seu primeiro artigo, como um de seus princípios fundamentais, que a República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito.