Política

Na CPI, Fausto Jr. aponta "promíscua mistura de corrupção e incompetência" durante crise no AM

Deputado estadual disse ter convicção de que o governador Wilson Lima "sabia de tudo", mas afirmou não ter provas

Deputado estadual Fausto Junior falou hoje na CPI da Covid
Deputado estadual Fausto Junior falou hoje na CPI da Covid Foto : Pedro França / Agência Senado / CP

O deputado estadual do Amazonas Fausto Vieira dos Santos Junior (MDB) encerrou, na tarde desta terça-feira, o seu depoimento à CPI da Covid, no Senado. O estado foi um dos mais afetados com casos e óbitos na pandemia e teve uma grave crise de falta de oxigênio em janeiro deste ano. Fausto Junior foi relator da CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas no ano passado e apontou, durante a sua fala aos senadores, uma "promíscua mistura de corrupção e incompetência", mas que decidiu não indiciar o governador Wilson Lima (PSC) na investigação. 

O parlamentar disse ter convicção de que Wilson Lima sabia "de tudo" durante a crise do novo coronavírus. "Eu tenho convicção de que o governador sabia de tudo, mas a CPI precisa provar", disse o deputado estadual. De acordo com ele, somente a Polícia Federal tinha elementos para apontar responsabilidades do governador. 

Durante a sessão, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o deputado estadual seria investigado pela CPI se não desse respostas suficientes. Fausto Junior prometeu propor uma segunda CPI na Assembleia Legislativa para investigar a gestão estadual e a participação de Wilson Lima.

Fausto Junior se recusou a assinar um requerimento que tramita no momento alegando não concordar com o objeto do pedido, que seria "pandemia, genericamente".

A CPI da Covid no Senado investiga o colapso no sistema de saúde em Manaus, no início do ano. Aziz declarou que irá provar os motivos pelos quais o deputado estadual não indiciou o governador. "Não vai ficar por isso mesmo. A CPI irá tomar as providências", declarou Aziz.  

Esquema de corrupção

Omar Aziz apontou um suposto esquema de corrupção envolvendo empresas privadas e agentes públicos no Amazonas. Ele afirmou que a comissão do Senado vai quebrar os sigilos bancário e fiscal de empresas e acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar a conselheira Yara Lins dos Santos, do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Yara Lins é mãe de Fausto Junior. 

De acordo com Aziz, o suposto esquema de corrupção livrou Wilson Lima do indiciamento. "Estou falando em corrupção, estou falando em advocacia administrativa, estou falando em benefícios, por isso, senhores senadores, senhoras senadoras e o povo do Amazonas, por isso é que o governador não foi indiciado", disse o senador.

Aziz afirmou que a conselheira Yara Lins precisa ser investigada por ter sido presidente da corte de contas e relatora do julgamento da aplicação de verbas estaduais na saúde. "Minha mãe é uma pessoa honrada, uma servidora pública de carreira. Não tem nenhuma mácula. Pode investigar, pode quebrar o sigilo da empresa que for, não temos o que temer", disse Fausto Junior.

Durante o depoimento, o deputado estadual afirmou que o próprio Omar Aziz, ex-governador do Amazonas, tinha participação na crise da saúde e deveria ser indiciado pelos pagamentos indenizatórios - feitos sem licitação - durante o período que governou o Estado. 

Ameaça de prisão

Fausto Junior também disse ter sido ameaçado de prisão por Omar Aziz após tentar propor o indiciamento do ex-governador do Amazonas, na CPI da Assembleia Legislativa que investigou a atuação da administração estadual na saúde.

Omar Aziz reagiu à afirmação dizendo que só o registro de pagamento, feito sem licitações para situações urgentes, não indica nenhuma irregularidade. Para o presidente da CPI, Fausto Junior agiu de má-fé.

Prorrogação da CPI

O presidente da CPI da Covid afirmou nesta terça, em sua conta no Twitter, que o colegiado já reuniu assinaturas suficientes para prorrogar os trabalhos da comissão por mais 90 dias. A decisão com relação a prorrogação, no entanto, ainda depende de aval do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). "Decidimos prorrogar os trabalhos da CPI da Pandemia por mais 90 dias. Já temos assinaturas de 31 senadores. Temos muito o que investigar ainda", afirmou o Omar Aziz.

O requerimento apresentado pelo vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), precisa de 27 assinaturas para prorrogar os trabalhos. Desde o começo da CPI, Aziz mantinha um discurso de que a comissão não seria prorrogada. Contudo, o suposto esquema de corrupção no governo federal com a compra de vacinas fez o senador reavaliar a necessidade de estender os trabalhos. Com o prazo atual e sem recesso formal, a comissão deve encerrar os trabalhos no dia 26 de julho.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, Pacheco resiste à pressão para prorrogar a CPI. O parlamentar quer esperar e avalia consultar os líderes partidários da Casa para decidir sobre o tema. A interlocutores, Pacheco tem chamado a atenção para a necessidade de uma análise técnica e política.