No RS, Rodrigo Maia sugere redução de impostos sobre combustíveis

No RS, Rodrigo Maia sugere redução de impostos sobre combustíveis

Pré-candidato à presidência (DEM), presidente da Câmara diz que governo precisa evitar "colapso social"

Flavia Bemfica

Rodrigo Maia sugere redução de impostos sobre combustíveis

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O presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato do DEM à presidência da República, deputado Rodrigo Maia (RJ), sugeriu nesta segunda-feira em Porto Alegre a redução de impostos no curto prazo como medida compensatória ao aumento do preço dos combustíveis. Ele afirmou ainda que o governo precisa pensar mecanismos para evitar um colapso social, de forma que as famílias não sejam tão impactadas em um momento em que sua renda “cai de forma sistemática.”

“O governo não se preparou em construir políticas compensatórias. O Congresso vai chamar o governo, a Petrobras, os representantes de postos e distribuidoras e quadros técnicos para encontrar caminhos. Uma das soluções que eu dei, que não é fácil para o governo, é a redução de impostos no curto prazo, enquanto os preços do petróleo se mantiverem no atual patamar. É uma hipótese, se é possível ou não, vamos debater. Governos existem para pensar políticas compensatórias na hora em que há desequilíbrio como agora, que atinge o orçamento de muitas famílias. Vemos os números do desemprego, da mortalidade infantil, tudo piorando muito, não podemos entrar em um colapso social.”

Apesar das críticas, o parlamentar considerou como acertada a decisão do governo de liberar os preços dos combustíveis, atribuiu as altas sucessivas à geopolítica internacional e descartou a possibilidade de congelamento. “Ninguém esperava que a pressão em cima do preço viesse tão rápido. A expectativa era mais para o próximo ano, e o governo não se preparou. Mas o congelamento seria demagógico e eleitoreiro. Vamos discutir propostas que não sejam uma interferência na economia. Mas a solução tem que ser dada no curto prazo.”

As declarações foram feitas durante a participação do deputado, como palestrante, na reunião-almoço ‘Menu Porto Alegre’, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre. Questionado sobre se o governo Michel Temer falhou, respondeu “não sei”, repetiu a influência da geopolítica internacional, atribuiu os problemas à “política intervencionista” do governo Dilma Rousseff e afirmou que há melhora em relação a 2015, porém admitiu que ela é “muito tímida em relação ao que gostaríamos.” Também classificou como “besteira” sua proximidade ou não com o governo Temer e disse que a responsabilidade de defender o presidente é do PMDB, mas ressalvou que na campanha vai “defender todas” as pautas nas quais teve atuação importante, como a aprovação do teto dos gastos e a tentativa de reforma da previdência.

Questionado sobre se há um prazo final para que o DEM se decida sobre sua candidatura à presidência, o pré-candidato reagiu. “Não tem esse negócio. O DEM na convenção vai confirmar minha candidatura. Tenho certeza de que existe um espaço enorme para que se construa um projeto fora do eixo que dominou a política nacional nos últimos 30 anos.” Contudo, não quis citar possíveis aliados, limitando-se a dizer que “todos já estão aí colocados pela mídia” e desconversou sobre o excesso de candidaturas ao centro. “Existem muitos candidatos de centro, de esquerda, de direita, de todos os lados. E vão continuar existindo, porque as pesquisas não vão dar clareza para que se tome uma decisão.”

Ladeado por lideranças do PP gaúcho – o pré-candidato do PP ao governo do Estado, o deputado federal Luis Carlos Heinze, e o estadual Pedro Westphalen – Maia minimizou o apoio público do presidente do DEM no RS, deputado federal Onyx Lorenzoni, à pré-candidatura de Jair Bolsonaro (PSL/RJ) à presidência da República. “O Onyx já estava com o Bolsonaro muito antes de o partido se decidir por minha pré-candidatura. E a decisão de intervenção no diretório seria algo muito bruto, não democrático. Vamos deixar o tempo passar.” Sobre o avanço da pré-candidatura de Bolsonaro, o parlamentar disse que o colega de Câmara “é muito polêmico e essa polêmica gerou a ele uma concentração de apoios difícil de conquistar.” Na sequência, emendou: “Os números dele pelas pesquisas que eu tenho vêm caindo de dezembro para cá. Vamos ver nos próximos meses quais são as políticas que ele apresenta de fato à sociedade.”

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