Política

Nova legislatura romperá com crescimento de bancadas no RS

Contenção da pulverização partidária na Assembleia Legislativa representa movimento nacional, como ocorreu na Câmara Federal

Procuradoria da Assembleia deve se manifestar sobre projetos que sustam reajustes
Procuradoria da Assembleia deve se manifestar sobre projetos que sustam reajustes Foto : Galileu Oldenburg / Agência ALRS / Divulgação / CP

A próxima legislatura da Assembleia Legislativa, que assumirá no próximo ano, apresenta e representa a interrupção no aumento gradativo que vinha acontecendo do número de bancadas no legislativo gaúcho. O ano de 2023 começará com 14 bancadas, contra 17 que integravam a composição da Casa, em 2019, no primeiro ano da atual legislatura.

O número de siglas, aliás, era a maior do período posterior à redemocratização, superando a de quatro anos antes, que era de 16 bancadas distintas. Essa contenção da pulverização partidária, aliás, é uma tendência não só no RS. Na esfera federal, a Câmara de Deputados terá 16 representações, menor número desde 1999. Como comparação, a atual legislatura começou com 30 partidos.

“Isso não é por acaso. A eleição de 2018 a nível nacional apresentou maior índice de fragmentação partidária na nova democracia brasileira. Não a mera quantidade de partidos que têm representação, mas a quantidade de partidos que têm um peso significativo no legislativo para fazer força de paralisia decisória ou aprovação de projeto de lei”, explica a doutora em Ciência Política e professora do programa de pós-graduação da Ufrgs, Silvana Krause.

Para a especialista, os fatores que explicam essa diminuição são variados. Em primeiro lugar, a proibição das coligações em eleições proporcionais, em vigor desde a última eleição municipal (2020), o que dificultou para muitas siglas conseguir representação na Câmara Federal. “Era um elemento importante para que aumentasse o número de partidos”, frisa Silvana. A construção de federações, mesmo que poucas em um primeiro momento, e o maior rigor das cláusulas de desempenho para liberação de recursos para as agremiações são outros mecanismos que explicam a tendência.

Das 14 bancadas da próxima composição da Assembleia, uma é composta por uma federação, modelo que estreou no último pleito. Como PT, PCdoB e PV formam a Federação Brasil da Esperança em nível nacional, os 11 deputados petistas eleitos e a deputada Bruna Rodrigues (PCdoB) obrigatoriamente comporão uma só bancada. Isso porque as federações devem agir como um partido único. O PSol forma uma federação com a Rede, mas somente o primeiro teve representantes eleitos para o legislativo estadual. Já o PSDB, que está federado com o Cidadania, elegeu cindo deputados. Caso algum deles seja alçado ao secretariado do governador eleito Eduardo Leite, por exemplo, o movimento pode trazer o primeiro suplente Jessé Sangalli (Cidadania) para a Assembleia.

Cláusula de desempenho

A cláusula de desempenho, adotada a partir das eleições de 2018 e que passa por ajustes de forma escalonada nas eleições gerais até 2030, é um elemento que está justamente ajudando a reduzir o número de legendas, visto que determina a regra da distribuição de fundo partidário somente àquelas que atingirem o mínimo exigido. Neste ano, só 12 partidos ficaram dentro da norma.

Isso fez com que movimentos de fusão e incorporação sejam estimulados. O PTB, que tem e manterá apenas um representante na Assembleia na próxima legislatura, o deputado Elizandro Sabino, fundiu-se com o Patriota, dando origem ao Mais Brasil 25. O Podemos, que tem Ronaldo Santini e Professor Cláudio como eleitos, vai incorporar o PSC. Já o Pros será incorporado pelo Solidariedade. Esses movimentos, no entanto, não impactam o número de legendas do legislativo gaúcho pela ausência de representantes dessas siglas.

Porém, há movimentações chamadas de “endógenas” por Silvana Krause. Elas são propostas pelos próprios atores políticos. O movimento de fusão e incorporação pode provocar, por exemplo, a migração de eleitos para outras siglas, alterando o tabuleiro do xadrez político. A atual legislatura da Assembleia, que está encerrando, passou por isso, com mudanças provocadas pela criação do União Brasil, fusão do Dem com o PSL, com chegadas e partidas. Além disso, Rodrigo Maroni, eleito pelo Pros, e Neri, o Carteiro, pelo Solidariedade, migraram para o PSDB, fazendo com que a legislatura terminasse com 15 bancadas.

Embora incipiente, a criação de uma federação ou fusão nacional entre MDB, PSDB e Cidadania, já aventada e que tem o próprio governador eleito Eduardo Leite como um dos avalistas, é um elemento que pode contribuir para diminuir ainda mais ou até mesmo aumentar o número de agremiações no legislativo estadual, seja pela unificação dos parlamentares em um único bloco, seja pela migração de eleitos descontentes com a união.

Composição da próxima legislatura da Assembleia do RS:

Federação Brasil da Esperança - PT, PCdoB e PV - (12)
PP (7)
MDB (6)
Federação PSDB-Cidadania (5)
Republicanos (5)
PL (5)
PDT (4)
União Brasil (3)
PSol-Rede (2)
Podemos (2)
Novo (1)
PSB (1)
PSD (1)
PTB* (1)
*Após aprovada fusão com Patriota pelo TSE passará a se chamar Mais Brasil 25