Novas mensagens indicam que Moro teria interferido em negociações de delações
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Novas mensagens indicam que Moro teria interferido em negociações de delações

Ministro da Justiça e Segurança Pública negou veracidade de diálogos divulgados nesta quinta

Por
Correio do Povo

Novas mensagens de Moro foram reveladas nesta quinta-feira

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Uma nova leva de mensagens do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, relacionadas ao processo da Lava Jato foram divulgadas nesta quinta-feira pelo jornal Folha de São Paulo. De acordo com a publicação, diálogos indicam que o então juiz teria interferido em negociações de delações. 

A mensagens, obtidas pelo site The Intercept e examinadas pela Folha, mostrariam que Moro avisou procuradores da Lava Jato que só homologaria delações se a pena proposta a executivos da Camargo Correa incluísse um ano de prisão em regime fechado.  

"A Lei das Organizações Criminosas de 2013, que definiu as regras para os acordos de colaboração premiada, diz que juízes devem se manter distantes das negociações e têm como obrigação apenas a verificação da legalidade dos acordos após sua assinatura", diz o jornal.

Os diálogos ainda revelam que os procuradores envolvidos na Força-Tarefa teriam ficado incomodados com a interferência do juiz. Nessa época, o grupo ainda teria entrado em divergência sobre como usar as delações para dar um impulso às investigações. 

Conforme a publicação de hoje, em fevereiro de 2015, o chefe da Força-Tarefa, Deltan Dallagnol, teria procurado Carlos Fernando dos Santos Lima, que conduzia as negociações com a Camargo Correa, para sugerir que aproveitasse uma reunião com Moro para consultá-lo a respeito das penas que seriam propostas aos delatores.  

Moro recorreu ao Twitter para se defender da informação. Na rede social, ele afirmou que juiz "tem não só o poder, mas o dever legal de não homologar ou de exigir mudanças em acordos de colaboração excessivamente generosos com criminosos".