Olavo de Carvalho critica militares por permitirem que "comunismo tomasse conta do país"
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Olavo de Carvalho critica militares por permitirem que "comunismo tomasse conta do país"

Filósofo fez uma palestra por teleconferência no segundo e último dia do 32º Fórum da Liberdade

Por
Christian Bueller

Filósofo fez uma palestra por teleconferência no segundo e último dia do 32º Fórum da Liberdade


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Diretamente de sua casa, o filósofo Olavo de Carvalho fez uma palestra por teleconferência no segundo e último dia do 32º Fórum da Liberdade. O ideólogo abordou, com sua renomada acidez crítica, o regime militar no Brasil, conceitos históricos de movimentos políticos, a mídia e as universidades. Olavo de Carvalho criticou as Forças Armadas por permitirem que o comunismo tomasse conta do país.

“Militares não eram criminosos, assassinos e fascistas. Os comunistas é que fugiram, não houve resistência nenhuma. Quem fala isso, não fala sem fundamento histórico”, afirmou. “João Goulart viu que não conseguiria resistir à Marcha da Família de 64 e foi para o Uruguai. O governo estava caído e o general Olímpio Mourão coloca os tanques de guerra nas ruas para apaziguar o país. Castelo Branco, o primeiro presidente militar, declarou em seu discurso inicial que a direita reacionária não dominaria o país”, comentou.

Segundo Olavo, ao enfrentarem o movimento de direita no Brasil, os militares fomentaram o crescimento da esquerda pacífica durante 20 anos. “Sim, combateram a guerrilha, mas ajudavam financeiramente instituições e deixaram universidades e a mídia serem tomadas pelos comunistas”, afirma. Por consequência, conforme Olavo, as forças de direita estavam destruídas no período da abertura política.

“Só o que sobrou foi a esquerda, que tomou o poder já no governo Fernando Henrique. O (ex-presidente Fernando) Collor, que era um artifício fraquíssimo da direita, foi derrubado a cuspidas por causa de um Fiat Elba. A esquerda mobilizou uma nação inteira, que foi atrás”, recordou, movendo bastante as mãos durante sua fala. O filósofo criticou com veemência quem o recrimina. “Depois de 30 anos escrevendo, agora que estão começando a entender. E, não por mim, mas pelos pensadores que eu cito. São uns bobocas”.

No entanto, a crítica mais forte foi dirigida aos militares. “Não venham esses federais de cabelo pintado dizer que livraram o país do comunismo. Ao contrário. Eles entregaram o país para a esquerda, que humilhou vocês, militares. O comunismo destruiu o Brasil por 35 anos. Isso é culpa das Forças Armadas”.

Não ao positivismo

A doutrina positivista defendida pelos militares é, segundo o filósofo, um dos problemas na concepção política que não pode ser repetida no governo Bolsonaro. “Esta ideia, esta escola, é a extinção da atividade política. Em seu lugar, uma administração científica, o que é ditatorial. O problema é que o positivismo abre as portas para o comunismo, como já foi visto na História. Essa filosofia é um desastre”. Essa mentalidade, segundo Olavo, foi determinante para “a entrega do país ao domínio tucano-petista”.

“Temos que parar com esse papo de que nos libertaram. Não libertaram. Nada devemos aos militares nesse aspecto”, ressaltou. “Se foram sensacionais na economia, por outro lado criaram as universidades em cada esquina, de onde temos 50% de analfabetos funcionais que vemos por aí”, dispara.

Ao fim do evento, Olavo respondeu perguntas da plateia. Nazismo e fascismo não poderiam faltar na pauta. “Não são nem de esquerda, nem de direita”, cravou. Sobre o presidente Jair Bolsonaro, acredita ter “consistência”. “Vemos muita mulher de papelão e homem de isopor. Não é o caso dele”.


Respondendo sobre a mídia e as universidades, afirmou que “o problema não é a doutrina comunista, mas a proibição de manifestações anticomunistas”. Quanto ao futuro do Brasil, Olavo de Carvalho acredita que otimismo e pessimismo “são o Gordo e o Magro da filosofia. “Eu e o presidente Bolsonaro conseguimos furar este bloqueio que havia. Agora, vamos ver como será. Precisamos de lideranças que não estejam no governo. Sou realista”, concluiu.