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Partidos se juntam em ação contra Bolsonaro

"Direitos Já, Fórum pela Democracia" foi organizado pelo escritor Fernando Guimarães, do PSDB, e pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, do PT

Por
AE

Encontro foi organizado pelo escritor Fernando Guimarães (foto), do PSDB, e pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, do PT

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Representantes de dez partidos, entre eles PSDB, PDT, PT e Cidadania, se reuniram nesta segunda-feira, à noite, em São Paulo, para organizar o lançamento de movimento intitulado "Direitos Já, Fórum pela Democracia". O objetivo declarado é formatar um grupo suprapartidário de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro. A iniciativa acontece a poucos dias de manifestação pró-Bolsonaro, marcada para o próximo domingo, em resposta a protesto organizado semana passada contra o contingenciamento de verbas na área de Educação.

O encontro desta segunda foi organizado pelo escritor Fernando Guimarães, do PSDB, e pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, do PT. O movimento começou como um grupo de WhatsApp que ultrapassou 200 integrantes de vários partidos. Segundo eles, a ideia agora é lançar um manifesto e organizar um ato no Tuca, o teatro mantido pela PUC em São Paulo. Uma primeira data sugerida foi setembro.

"A ideia é ver se a gente quebra o gelo e atua com uma plataforma comum", disse o advogado Pedro Serrano, que cedeu seu apartamento para o encontro. Carvalho seguiu na mesma linha e defendeu a busca por uma "pauta comum". "O que nos une é maior do que aquilo que nos divide", disse ele.

Ainda durante a campanha eleitoral do ano passado, alguns partidos tentaram articular, sem sucesso, uma candidatura de centro para se opor a Bolsonaro. Os participantes de ontem ressaltaram que esta é a primeira vez desde a eleição do tucano Mario Covas ao governo de São Paulo, em 1994, que representantes de partidos como PSDB e PT se juntam numa mesma iniciativa política.

Entre os cerca de 40 convidados que se reuniram no apartamento de Serrano, estavam políticos como o ex-ministro Aloizio Mercadante, o ex-prefeito Fernando Haddad e o vereador Eduardo Suplicy, todos do PT; o ex-ministro da Justiça José Gregori, o ex-senador José Aníbal e o vereador tucano Daniel Anneberg, pelo PSDB; o presidente do PV, José Pena; José Gustavo, porta voz da Rede, além de lideranças do PDT, Cidadania, PSol e PCdoB e dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), UNE e do movimento negro.

Mistura

"Uma mistura dessas só vi nas Diretas-Já", disse Gregori, ao encontrar Suplicy no elevador. "Existe uma unanimidade que nos une: democracia sempre." Os convidados que chegavam ao evento recebiam um broche onde se lia "Direitos Já". Garrafas de vinho tinto e branco faziam companhia a sanduíches. "As Diretas-Já foram a última ocasião em que pessoas tão diferentes se reuniram", afirmou a vereadora Soninha Francine, do Cidadania.

Os planos de união não evitaram, porém, algumas reações mais ásperas. Durante sua fala, o advogado Celso Antonio Bandeira de Mellor afirmou que Bolsonaro foi eleito "devido à influência dos Estados Unidos" e que, neste sentido, era preciso ter consciência de quem está "do outro lado". O tucano André Franco Montoro se irritou e interrompeu o advogado. "Não vamos começar com teoria da conspiração aqui. O governo foi legitimamente eleito. Se for assim, vou me levantar e vou embora", criticou ele, que acabou permanecendo no encontro.

O tesoureiro nacional do PT, Emídio de Souza, um dos petistas mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (condenado e preso na Lava Jato), disse estar disposto a abrir mão de bandeitras do partido como as campanhas contra a reforma da Previdência e pela liberdade do ex-presidente em nome da unidade. "A Educação pode ser um ponto que nos una mais. Se não nos unificar a Previdência e a campanha Lula Livre, vamos procurar o que nos une."

Já o vereador Elideu Gabriel (PSB) deu o tom eleitoral ao falar da necessidade de unidade para enfrentar o bolsonarismo nas eleições municipais do ano que vem. "Para ter democracia precisamos ganhar o poder".