PF do Rio pede ajuda à Lava Jato em inquérito sobre PAC

PF do Rio pede ajuda à Lava Jato em inquérito sobre PAC

É investigada fraude em obras de urbanização de três complexos de favelas

AE

É investigada fraude em obras de urbanização de três complexos de favelas

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A Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro pediu auxílio da operação Lava Jato para levantar informações sobre uma possível fraude em licitação de obras de urbanização de três complexos de favelas - Alemão, Manguinhos e Rocinha - realizadas
com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a partir de 2008.

Os investigadores apuram o suposto conluio entre as empresas líderes dos consórcios vencedores dos contratos, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão - as três acusadas de cartel em obras da Petrobras.

O delegado da PF do Rio, Helcio William Assenheimer, que apura o caso, solicitou aos delegados da Lava Jato, em Curitiba, informações sobre as empresas e compartilhamento de provas que possam ajudar nas investigações sobre as fraudes nas obras do PAC e o compartilhamento de provas.

Memorando anexado aos autos da Lava Jato nesta quarta-feira, 20, informa que tramita no Rio o inquérito policial que apura suposto conluio. O processo de concorrência nacional para a realização de obras públicas de urbanização nas comunidades do Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha foi conduzido pela Secretaria de Estado de Obras do Rio de Janeiro.

O inquérito da PF no Rio foi aberto em 2013 e a concorrência vencida pelas empresas em 2008. Além dos Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal, o governo do Rio investiu nas obras.

O Consórcio Rio Melhor, liderado pela Odebrecht, em parceria com a OAS e a Delta, venceu o contrato de R$ 493 milhões para realizar obras no Complexo do Alemão.

Já o Consórcio Manguinhos, liderado pela Andrade Gutierrez, em parceria com a EIT e Camter, venceu o contrato de R$ 232 milhões para executar os serviços no Complexo de Manguinhos.

O Consórico Novos Tempos, encabeçado pela Queiroz Galvão, em sociedade com a Caenge e Carioca Engenharia, assumiu o contrato de R$ 175,6 milhões para as obras da Comunidade da Rocinha.

Irregularidades

A Construcap, uma das companhias que participou da concorrência na época, denuncio direcionamento da licitação em acerto prévio. Um dos pontos investigados é o uso de um mesmo documento pelas três empresas.

No memorando, o delegado do Rio afirma que considerando que é de conhecimento público que as investigações da Lava Jato têm "logrado desvendar um amplo esquema de corrupção e direcionamento de contratações públicas, incluindo conluios entre as empresas citadas", o compartilhamento de informações pode ajudar no inquérito sobre o PAC.

Defesas


Procuradas, as empreiteiras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão informaram, via assessoria de imprensa, que não comentariam o caso. A Secretaria de Obras do Rio deve ser pronunciar nesta quinta-feira.

Em nota, a Odebrecht informou que "não tomou conhecimento da investigação e se pronunciará no momento oportuno". A construtora afirmou, ainda, "que nunca participou de cartel para contratação com qualquer cliente público ou privado, e que todos os seus contratos foram celebrados na mais estrita conformidade com a lei".

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