O procurador-geral da República, Augusto Aras, avalia como "grave" a denúncia de entrega de relatórios de órgãos de inteligência federais para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Em conversa com jornalistas nesta terça-feira, o titular da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que vai acionar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) para entender o que ocorreu nesse caso.
Aras avalia que o fato narrado é grave, mas ainda não foram apresentadas provas de que os documentos existem. Ele também disse que o Ministério Público Federal (MPF) quer ouvir a advogada de Flávio, Luciana Pires, apesar de ela ter direito ao sigilo profissional.
Na segunda-feira a ministra Cármem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a Abin e o GSI informassem em 24 horas se houve realmente os supostos relatórios que teriam sido feitos para ajudar a defesa de Flávio Bolsonaro, investigado no caso das “rachadinhas”.
Em sua última edição, a revista "Época" publicou reportagem informando que a Abin fez ao menos dois relatórios de orientação para o filho do presidente Jair Bolsonaro, para que seus defensores obtivessem documentos que anulariam o processo.
Em seu despacho na segunda, Cármen Lúcia também classificou a suposta produção dos relatórios como "grave". Ela afirma que o tribunal considera "ilegítimo" o uso de órgãos estatais de inteligência para atender interesses particulares de qualquer pessoa.
O Gabinete de Segurança Institucional já negou que tenha participado de tal fato e classificou a notícia como "desprovida de veracidade". A Abin também negou que tenha produzido os relatórios citados.