Polícia de Hong Kong proíbe manifestação contra Lei de Segurança

Polícia de Hong Kong proíbe manifestação contra Lei de Segurança

EUA aumenta pressão contra China em defesa da autonomia da região

AFP

A polícia mencionou o risco de violência e argumentou que a mobilização pode "representar um sério risco para a saúde pública"

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A polícia de Hong Kong proibiu neste sábado uma manifestação contra o plano do governo chinês de aprovar uma Lei de Segurança, cujos críticos temem que reduza as liberdades deste território semiautônomo. Segundo a Frente dos Direitos Humanos Civis (CHRF), a polícia rejeitou o pedido de manifestações para 1º de julho, o 23º aniversário da devolução dessa ex-colônia britânica à China. 

A polícia mencionou o risco de violência e argumentou que a mobilização pode "representar um sério risco para a saúde pública", devido à epidemia de Covid--19. O grupo CHRF, que organizou algumas das grandes manifestações pró-democracia do ano passado em Hong Kong, anunciou que vai recorrer da decisão da polícia. 

A China busca aprovar uma Lei de Segurança para endurecer as punições por atividades consideradas subversivas, depois que no último ano Hong Kong passou por inúmeros protestos contra o poder de Pequim em seu território. Segundo ativistas, esta lei acabaria com as liberdades que fazem de Hong Kong um dos principais centros financeiros do mundo.

"Exortamos os americanos a corrigir imediatamente seus erros, eliminar estas medidas e parar de interferir nos assuntos internos chineses", reagiu a embaixada da China nos Estados Unidos. "A China vai continuar tomando medidas fortes para assegurar a soberania nacional, a segurança e o desenvolvimento de seus interesses", continuou um comunicado.

Como resposta, o governo norte-americano que irá restringir a entrada de funcionários chineses acusados de ameaçar a autonomia da região, em um momento em que o Congresso americano busca endurecer as sanções contra Pequim. O chefe da diplomacia estadunidense, Mike Pompeo, informou em comunicado que haverá uma restrição de vistos para autoridades chinesas responsáveis por "minar as liberdades de Hong Kong".

Além disso, Pompeo acusou Pequim de não honrar os compromissos assumidos quando o antigo território colonial britânico passou a fazer parte da China continental. "Os Estados Unidos instam a China a honrar seus compromissos e obrigações, segundo a declaração conjunta sino-britânica", assinalou Pompeo, pedindo que Pequim proteja a "liberdade de expressão e de reunião pacífica".

As famílias dos funcionários afetados também serão incluídas nas restrições, de acordo com o comunicado. Um porta-voz do Departamento de Estado não quis informar quantas pessoas serão afetadas e se todas elas terão proibição total de entrada nos Estados Unidos.

"Os indivíduos sujeitos a esta restrição de visto serão avaliados para a sua elegibilidade, ajustando-se aos critérios desta política, e seu visto poderá ser recusado", indicou.

Projeto no Congresso

O anúncio de Pompeo ocorre um dia depois de o Senado americano aprovar uma lei para sancionar funcionários públicos chineses que socavem a autonomia de Hong Kong. O projeto, que agora deve ser votado pela Câmara dos Representantes, permite sanções nos Estados Unidos contra funcionários chineses e a polícia de Hong Kong, bem como contra os bancos que realizam transações com os mesmos.

Para os defensores da lei, a normativa busca impor sanções reais, em vez de condenações sem consequências. Pompeo afirma em seus discursos que os Estados Unidos já não consideram Hong Kong como "autônoma", mas as ações específicas tomadas por Washington, incluindo mudanças ao tratado de extradição, tem sido vagas.

Trump não se pronunciou sobre se vai assinar ou censurar o projeto de lei que tramita no Congresso, mas no passado criticou qualquer legislação que considerasse que o amarra.

Seu governo – e Pompeu em particular – denunciou firmemente a China por temas diversos de acusações de violações aos direitos humanos à suas despesas militares. Nos últimos meses, Washington tem criticado Pequim pela gestão da pandemia do novo coronavírus, detectado pela primeira vez na província chinesa de Wuhan em dezembro do ano passado.

Mas, paralelamente, Trump busca selar um tratado comercial com a China e elogia o presidente Xi Jinping. Segundo as polêmicas memórias do ex-assessor de segurança nacional John Bolton, Trump pediu a Xi ajuda para se reeleger em novembro, pedindo-lhe que comprasse produtos agrícolas americanos.


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