Presidente da Assembleia diz que governo federal busca “litígio e tensionamento”

Presidente da Assembleia diz que governo federal busca “litígio e tensionamento”

Parlamentar estabelece distanciamento de Bolsonaro e defende que MDB tenha candidato próprio à presidência em 22

Flavia Bemfica

Gabriel Souza participou do Tá Na Mesa da Federasul

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O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gabriel Souza (MDB), defendeu nesta quarta-feira que seu partido tenha candidato próprio à presidência da República em 2022, disse que a executiva nacional (que integra), está trabalhando na questão, e fez questão de marcar distanciamento do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Não vejo o MDB favorável ou, do ponto de vista programático, ter concordância com a linha impressa pelo atual governo federal. O MDB é o partido da moderação. E não vejo equilíbrio e moderação na conduta do atual governo federal. Vejo, muitas vezes, inclusive, uma tentativa deliberada de litigar, de tensionar. É uma tática de fortalecer sua própria base”, assinalou.

O parlamentar afirmou lamentar também que o país tenha uma condução política nacional do enfrentamento com “narrativas divergentes e muitas vezes até discordantes do que é preconizado pela ciência.” “Não é apenas uma questão de quem vai vencer as eleições. Isso não ajuda a sociedade.” As declarações foram feitas na coletiva de imprensa que antecedeu a participação do deputado, como palestrante, na reunião-almoço virtual “Tá na Mesa”, da Federasul. O cenário apontado pelo deputado diverge daquele de 2018, quando o MDB gaúcho se alinhou à candidatura de Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. José Ivo Sartori, que tentava a reeleição, abriu apoio, e sua campanha cunhou o termo 'Sartonaro' para vincular as duas candidaturas. 

Questionado sobre se o MDB vai apresentar candidato próprio à sucessão do governador Eduardo Leite (PSDB), e se trabalha por uma chapa na qual ocupe também a vaga destinada ao Senado, o parlamentar respondeu que a legenda vai buscar viabilizar as candidaturas, mas afirmou que este não é o momento de aprofundar as discussões. O MDB gaúcho enfrenta uma crise nos bastidores em função da aproximação de parte das lideranças (entre elas Souza) com Leite, dos questionamentos que o movimento gerou, e de disputas internas pela definição dos nomes para o governo e o Senado.

Durante o evento, Souza falou também sobre um dos temas que vai mobilizar o Parlamento neste ano, para além das questões vinculadas às eleições e ao enfrentamento da pandemia: a tentativa de privatização da Corsan por parte do Executivo. Ele estimou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a necessidade de plebiscito para decidir sobre a venda da Corsan e do Banrisul poderá chegar ao plenário da Casa entre o final de abril e o início de maio. Assinalou que, além da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta já passou por outras duas comissões de mérito. E lembrou que, após a tramitação nas comissões, com ou sem parecer, ela precisa entrar na ordem do dia, em tramitação regimental concluída. “A Assembleia vai se debruçar sobre o tema, tendo em vista que tem tramitação regimental especial, e o movimento que o governo tem feito dentro de sua base aliada é no sentido de acelerar”, avaliou. Como se trata de PEC, a matéria precisa receber 33 votos favoráveis, em dois turnos.


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