Ranolfo aposta em diálogo para barrar aglomerações mas não descarta processo criminal a infratores

Ranolfo aposta em diálogo para barrar aglomerações mas não descarta processo criminal a infratores

"Tenho certeza que as pessoas não querem ser conduzidas à delegacia de polícia", apontou vice-governador em entrevista à Rádio Guaíba

Correio do Povo

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Para monitorar o cumprimento de decreto excepcional da suspensão geral de atividades entre 22h e 5h do Rio Grande do Sul, as forças de segurança do Estado já traçaram sua estratégia. De acordo com o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, não descarta medidas drásticas, mas aponta que o diálogo será a primeira opção para abordar eventuais aglomerações e desrespeito às normas. "Nossa ideia é a conversa com as pessoas, tentando desfazer esses grupos. Num segundo, vamos agir. Tenho certeza que as pessoas não querem ser conduzidas à delegacia de polícia e responderem a um processo criminal com todas as imputações que ele traz na vida de qualquer um", disse em entrevista à Rádio Guaíba na noite de sábado.

O decreto 55.764 determina a suspensão geral de atividades, incluindo estabelecimento de atendimento ao público, reuniões, eventos, aglomerações e circulação de pessoas tanto em áreas internas quanto externas, públicos ou privados, entre 22h e 5h, todos os dias, a partir deste sábado até as 5h do dia 2 de março. Coforme Ranolfo, os efetivos estão reforçados, tivemos e houve duas reuniões com as vinculadas da segurança pública. "A grande questão é que estaremos atuando praticamente nos 497 municípios do Estado", afirmou.

O vice-governador também esclareceu as limitações do Decreto. "Não estamos vedando a circulação, o direito de ir e vir é constitucional. Então, aquele que vai deslocar de carro para a sua casa, para o trabalho, poderão circular normalmente. O transporte intermunicipal, por exemplo, que sai de Uruguaiana de noite e chega em Porto Alegre pela manhã cedo vai ter sua linha normalmente", apontou, completando que o principal objetivo é evitar aglomerações de pessoas que costumam fazer uma festa e encontros bebidas alcóolicas.

Apesar da situação crítica, destacada inclusive pelo Governador Eduardo Leite, Ranolfo apontou que "esse momento não é reflexo do Carnaval". "Faz uma semana que iniciou o feriado. Então, eventualmente, aquelas pessoas que começaram a ser contaminadas no primeiro dia, estariam apresentado os primeiros sintomas hoje", explicou. No entanto, apontou que há de se reconhecer que a pandemia no estado poderá se agravar em reflexo do Carnaval.

"Agimos dentro daquilo que era possível", rebateu ao ser questionado se o Estado não foi muito flexível com medidas de contenção da doença. "Estamos agindo desde o primeiro momento, desde fevereiro, antes da Covid chegar aos Estado. Monitoramos, acompanhamos, tivemos um pico lá em julho. Em dezembro, pressentimos a possibilidade de chegar a um momento ruim e fechamos. Passamos com monitoramento o Natal e o Revéillon. Não trouxe qualquer reflexo de maior voulta na questão da pandemia", apontou.

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Aglomeração em resultado do jogo entre Flamengo e Inter

Ranolfo considerou como "lamentável" aglomeração no embarque do Inter para o Rio de Janeiro, local da partida decisiva contra o Flamengo, agendada para as 16h deste domingo. Ele afirmou que monitou de maneira online a movimentação de, em suas palavras, "cerca de três mil pessoas, grande maioria sem máscara, muitas crianças e idosos". "Entendo perfeitamente a paixão clubística, isso move o sentimento das pessoas, é normal, é natural. Mas pedimos a sensibilização para evitar nesse momento a propagação maior ainda do que já está acontecendo", argumentou.

"Decidimos não agir de maneira mais bruta, evitamos usar por exemplo bomba de gás e outros equipamentos que poderíamos ter usado para evitar um desdobramento pior do que aquele que possa ter no reflexo da pandemia", explicou sobre a atuação no caso.

De acordo com Ranolfo, há também preocupação com eventuais aglomerações caso o Inter seja campeão brasileiro. "Temos um plano e estamos conversando com o presidente do Inter, pedindo até a possibilidade de declarações, de vídeos, de jogadores solicitando que sua torcida evite aglomeração, o festejo mais acentuado. Trabalhamos em várias frentes, inclusive essa", apontou.

 

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