Sócio da VCTLog nega vantagens a Dias, mas se cala sobre conta paga

Sócio da VCTLog nega vantagens a Dias, mas se cala sobre conta paga

Raimundo Nonato Brasil disse não responder pela Voetur, empresa responsável pelo pagamento e do mesmo grupo da VTCLog

R7

Raimundo Nonato Brasil depõe nesta terça na CPI da Covid, no Senado

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Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 nesta terça-feira, Raimundo Nonato Brasil, sócio da VTCLog, afirmou que a empresa não fez pagamentos a Roberto Ferreira Dias pela assinatura de aditivo no contrato com o Ministério da Saúde. Enquanto estava no cargo de diretor do Departamento de Logística (DLog) da pasta, Dias assinou um reajuste de 18% no valor a ser pago à empresa em um contrato para prestação de serviço de armazenamento e distribuição de insumos para a pasta, como vacinas e medicamentos. 

O aditivo no contrato, firmado em 2018, foi assinado por Dias em maio deste ano. O ex-diretor do DLog é alvo da comissão por suposto pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina contra Covid-19. O reajuste aprovado por ele alterou a forma de aferir os serviços executados e, segundo despacho do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a suspensão do aditivo no mês passado, teria havido a aceitação do DLog de pagar à empresa um valor "1.800% superior ao recomendado por meio de parecer técnico, o que poderia caracterizar sobrepreço". 

Ao responder às perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), Nonato Brasil afirmou que a empresa nunca ofereceu vantagem a Dias pela assinatura do aditivo. A resposta foi contestada pelo senador, que apontou que a CPI obteve comprovação de que a VTCLog pagou “compromissos” de Roberto Dias, como contas e boletos.

“Então, sabemos que ela pagou compromisso do Roberto Ferreira Dias. Eu estou perguntando se, para que ele assinasse esse aditivo, se convencesse, houve também pagamento igual a esse que nós já comprovamos aqui”, insistiu o relator. “Afirmo para o senhor, dou a minha palavra com toda a modéstia, excelência. Palavra de homem: nunca existiu pagamento para o sr. Dias”, repetiu Nonato Brasil. 

Calheiros também questionou por qual razão a Voetur, empresa do mesmo grupo da VTCLog, pagou boletos de Dias, mas o depoente não explicou por que motivo as contas em nome do ex-diretor do Ministério da Saúde foram pagas pela empresa.

Segundo o empresário, ele não responde pela Voetur. “(Dias) É cliente. Ele deve ter comprado algum serviço, alguma passagem. O processo é o inverso, ele teve pago um compromisso dele pela empresa. É diferente. Na prática, ele recebeu, não é? Ele não pagou, ele recebeu, porque ele teve pago um compromisso dele, um boleto. O que ele fez então pra receber esse dinheiro da Voetur ou da VTCLog?”, questionou o relator, mas não obteve resposta. 

Ricardo Barros 

O relator também questionou Raimundo Nonato Brasil sobre a relação da VTCLog com o deputado federal e líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Durante a época em que o deputado ocupou o cargo de ministro da Saúde, entre 2016 e 2018, a área responsável por fazer transporte e logística foi extinta, dando espaço para que a VTCLog passasse a fazer os serviços.

Nonato Brasil negou conhecer o deputado. “Com relação ao deputado Ricardo Barros, não temos nenhuma relação, nunca tivemos. Não conheço o sr. Ricardo Barros. Nunca tivemos nenhum contato com o sr. Barros”, disse o sócio da VTCLog.

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