"Setor produtivo não pode pagar o preço dos irresponsáveis", diz Melo sobre bandeira preta

"Setor produtivo não pode pagar o preço dos irresponsáveis", diz Melo sobre bandeira preta

Prefeito de Porto Alegre pediu maior capacidade de decisão dos gestores municipais em cogestão no Distanciamento Controlado

Correio do Povo

Prefeito de Porto Alegre pediu maior capacidade de decisão dos gestores municipais

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No dia da divulgação do mapa definitivo do Distanciamento Controlado, cuja classificação parcial divulgada na sexta-feira colocou Porto Alegre em bandeira preta, o prefeito Sebastião Melo apontou que a situçaão de Covid-19 é grave na Capital, mas se manteve firme no posicionamento de abertura do setor econômico e criticou a falta de liberdade de decisão dos gestores municipais que aderem ao modelo de cogestão. O emedebista ressaltou que antes mesmo de ser eleito defendeu que a cidade tivesse sua bandeia própria, mas explicou que encontrou na cogestão uma forma mais rápida de flexibilização. Ele avaliou que o "setor produtivo não pode pagar o preço dos irresponsáveis".

"Eu podia recorrer da bandeira preta, mas não fizemos em gesto de colaboração ao governo. Não vejo nenhuma evidência científica de que manter a cidade aberta com responsabilidade, distanciamento, máscara, dizer que isso é a causa do aumento de Covid-19. Não significa que o prefeito não possa usar a bandeira vermelha, eu aperto mais ou aperto menos. Não quero abrir mão da responsabilidade de decidir. A população nos delegou o mandato e fomos muito claros na eleição", apontou em entrevista à Rádio Guaíba nesta manhã.

Melo comentou que a cogestão deveria ser "um caminho de responsabilidade dupla", mas arguiu que o governador Eduardo Leite tem maior capacidade de centralizar as decisões. Um tópico apontado pelo prefeito é a abertura das escolas, que fica a critério do governo estadual, conforme decreto de setembro. Grande parte do mundo manteve as escolas abertas mesmo durante alta dos casos de Covid-19, até mesmo em vários países da Europa onde foi decretado lockdown – bares e academias de ginástica foram fechados, mas os colégios se mantiveram abertos.

"Tínhamos nossa rede escolar marcada para começar as aulas e suspendemos isso. Temos uma rede de 207 escolas conveniadas. São mães trabalhadoras que dependem do dia a dia para a sobrevivência. O mundo inteiro manteve a escola aberta, que é essencial para o crescimento humano. Deveria ter mais responsabilidade. Isso deveria estar na cogestão. Nas escolas infantis, tem uma questão de alimentação, que precisa ser levada em conta. Precisamos encontrar um equilíbrio", argumentou.

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O prefeito também questionou a eficácia de restrição das atividades das 22h às 5h, determinada por decreto publicado no último sábado. "Não tenho dúvidas de que quanto mais tempo tiver a atividade econômica aberta, menos pessoas vai ter lá. Em janeiro, nosso gráfico não mudou. O aumento das UTIs não é uma questão de Porto Alegre, mas de todo o Estado", aponto. "Tudo que eu escuto dos médicos é de que 70% de tudo que está acontecendo é em razão dessa nova cepa que tem uma velocidade maior de transmissão. Eu vou formando juízo de valor sobre isso", afirmou. No entanto, especialistas afirmam que citar apenas a variante é uma tentativa de eximir-se de responsabilidade.

Agenda em Brasília

Nesta terça-feira, o prefeito deve viajar às 5h para a capital federal, onde terá reuniões com o presidente Jair Bolsonaro e outras entidades, separadamente, para discutir uma série de pontos. Um dos encontros, por exemplo, ocorre no âmbito do Guia do Novo Prefeito +Brasil, conjunto de orientações e ferramentas disponibilizadas pelo Governo e Parceiros para prefeitos "façam a gestão dos primeiros cem dias de mandato de maneira eficiente, responsável e assertiva". "Desde a campanha Bolsonaro disse menos Brasília e mais cidade, vou estar na primeira fila para ver isso", completou. 

Também há encontro previsto com o ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo. "O governo federal aportou recursos bastante razoáveis. Se os prefeitos compraram equipamentos ou pagaram folha, é uma discussão a ser feita. No caso de Porto Alegre, parte foi para pagar folha e não para comprar equipamento. O governo federal até esse momento não aportou nenhum recurso a mais para esse tipo de questão. Na nossa reunião na semana passada, esse foi o tema central. Relatei o que estava acontecendo e que ele precisava abrir uma linha de crédito especial porque nós temos limites nos nossos orçamentos municipais", concluiu.


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