Política

Teto de gastos ameaça acordo entre os Poderes

Diretor-geral do Tribunal de Justiça alertou, em audiência pública, descompasso entre os valores orçamentários definidos no projeto

Em setembro, chefes de poderes participaram da entrega da LOA
Em setembro, chefes de poderes participaram da entrega da LOA Foto : Joel Vargas/Agência ALRS/CP

O projeto do governo do Estado que estabelece um teto de gastos no Rio Grande do Sul recebeu críticas, nesta quinta-feira, durante a reunião da Comissão de Finanças, na Assembleia Legislativa. Representante do Tribunal de Justiça, o diretor-geral Sandro de Borba alertou que a proposta, que está em tramitação na Casa, compromete o acordo feito de contingenciamento em função da pandemia da Covid-19. Isso porque ao definir o valor do teto não levou em consideração a redução feita por causa da pandemia.

No caso do TJ, o contingenciamento em 2021, é de R$ 121 milhões, conforme acertado na LDO entre os Poderes. “Este projeto traz como base os valores da despesa primária empenhada no exercício anterior, então, tendo como base o exercício de 2021, a priori mantido esse critério, o Tribunal de Justiça e os demais poderes não terão, considerados em sua base para fixação do teto de gastos, estes valores contingenciados”, explica Borba, prevendo assim uma redução para o Tribunal de R$ 121 milhões. “Fica a sensação que ao contribuir para o estado como um todo, possamos ter, se aprovados nesses termos o projeto, prejuízo para os demais poderes e instituições uma vez que esses valores ficarão de fora na fixação do teto de gastos”, alertou.

Como tramita em regime de urgência, o projeto do teto de gastos passa a trancar a pauta no dia 30 de novembro. Assim, há pouco tempo para a negociação em torno da questão. A proposta é a última exigência do governo federal para a adesão do RS ao programa de Recuperação Fiscal, que prevê a renegociação da dívida do Estado. A proposta envolve Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas, administração direta, fundos, autarquias e empresas estatais. Representantes de outros poderes também se manifestaram durante a audiência pública.

Ao final, o presidente da Comissão, Luís Augusto Lara (PTB), adiantou que o parecer do relator, Mateus Wesp (PSDB), sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA), deverá ser apreciado na próxima reunião. 

Estado registra superávit de R$ 1,7 bilhão

O Estado registrou superávit orçamentário de R$ 1,7 bilhão, entre janeiro e agosto de 2021, superando o déficit de R$ 753 milhões desse período em 2020. O impacto nas contas públicas, segundo o governo, está relacionado às reformas. De acordo com o subsecretário do Tesouro Estadual, Bruno Jatene, houve crescimento de 4,31% da receita tributária líquida e a queda com despesa de pessoal foi de 0,3%, além da redução do déficit previdenciário em R$ 527 milhões. Os dados foram apresentados durante audiência pública da Comissão de Finanças, da Assembleia. Na reunião, os representantes dos poderes também apresentaram os balanços das suas finanças. 

O contingenciamento de despesas do Executivo e dos demais poderes repercutiu também na dívida consolidada líquida e pela primeira vez desde a vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal o RS está abaixo do indicador limite de 200%. 

Bruno Jatene informou que os resultados do superávit decorrem dos ajustes da gestão pública, combinados com a aprovação pela Assembleia das reformas previdenciária e administrativa. O superávit primário foi de R$ 4 bilhões no período, que em 2020 registrou R$ 1,1 bilhão. “De modo geral isso é explicado pelas informações a respeito da Receita Tributária Líquida que cresceu 31,4%”, reflexo da recuperação da economia e da privatização da CEEE-D. A queda nominal de 0,3% com despesa de pessoal significou economia de R$ 58 milhões sobre 2020 e o déficit previdenciário em R$ 527 milhões confirma que esse risco fiscal está sendo controlado pela reforma previdenciária, disse Jatene.