"Vamos chorar até quando?", diz Bolsonaro ao elogiar agricultores

"Vamos chorar até quando?", diz Bolsonaro ao elogiar agricultores

Presidente cobrou fim da "frescura e mimimi" na pandemia

R7 e AE

Presidente chamou de "frescura" fechar o comércio nos municípios por causa da pandemia

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O presidente Jair Bolsonaro inaugurou, nesta quinta-feira, um trecho de 172 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, em São Simão (GO). Em vez de falar de transporte ou da obra, Bolsonaro usou o evento para atacar quem defende medidas de restrição na economia para o combate à pandemia de Covid-19.

Ao elogiar o trabalho dos agricultores, que não pararam mesmo na pandemia, Bolsonaro disse que o país tem que enfrentar seus problemas: "Chega de frescura e de mimimi, vamos ficar chorando até quando?". Ele também desafiou os governadores. "Repensem a política de fechar tudo, o povo quer trabalhar", declarou.

Segundo Bolsonaro, é preciso respeitar os idosos e declarou que "o tratamento errado do covid é muito mais danoso do que o próprio vírus". Em seguida, afirmou: "Vamos tratar da economia e do próprio vírus. Lamentamos qualquer morte no Brasil."

O presidente chamou de "frescura" fechar o comércio nos municípios e afirmou que atividade essencial é toda aquela que faz o chefe de família levar dinheiro para dentro de casa. "Todos nós vamos sofrer se não tomarmos a medida certa, mas com coragem", defendeu.

Ele também criticou a criação de novas reservas para os índios. "Já são 14% do nosso território demarcado como terra indígena", disse. Ele chamou de "absurda" a demarcação para os yanomamis. "Que imprensa é essa nossa que transformou-se num partido político de esquerda", atacou. "Eu quero uma imprensa forte, cada vez mais livre", disse. 

As obras da ferrovia, que deve ligar as regiões Sudeste e Norte do país, passando pelo Sudeste, atravessa dez Estados.

Repetições sobre STF

O presidente repetiu o argumento de que foi impedido de decidir sobre políticas de combate ao vírus no País, apesar da fala não ser verdadeira.

Desde o ano passado, Bolsonaro alega que o Supremo Tribunal Federal (STF) tirou dele a possibilidade de agir na pandemia, deixando isso para os Estados e municípios. A Corte decidiu em abril de 2020, contudo, que a União, Estados, municípios e o DF têm "competência concorrente" na área da saúde pública para realizar ações que reduzam o impacto da Covid-19.

"Eu apelo aqui, já que foi me castrada a autoridade, para governadores e prefeitos: repensem a política de fechar tudo, o povo quer trabalhar", afirmou Bolsonaro. "Vamos combater o vírus, mas não de forma ignorante, burra, suicida. Como eu gostaria de ter o poder, como deveria ser meu, para definir essa política. Para isso que muitos de vocês votaram em mim", disse.

Na quarta-feira, após um ano de pandemia, Bolsonaro afirmou em entrevista à imprensa que tinha um plano próprio e pronto para o enfrentamento da doença, mas se recusou a dar detalhes. Ele argumentou que para colocar o plano em prática precisaria de autoridade e que para tal aguardava uma autorização do STF.

Nesta quinta, Bolsonaro afirmou que foi eleito para "comandar o Brasil" e disse esperar "que esse poder seja restabelecido". "Até quando vamos ficar dentro de casa? Até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso. Lamentamos as mortes, repito, mas tem que ter uma solução", indagou em sua fala no evento desta quinta. "Se nós destruirmos a nossa economia, pode esquecer um montão de coisa. Vamos ser algo como países colônias no passado, e não queremos isso. Vamos de peito aberto enfrentar o problema", declarou.

Vacinas

Sobre a compra de vacinas, Bolsonaro disse que o governo é responsável e está "fazendo o que é certo". Ele citou a chegada de 20 milhões de imunizantes neste mês e outras 40 milhões de doses em abril. "Nunca nos afastamos de buscar vacinas, mas eu sempre disse uma coisa, elas tem que passar pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)", comentou.

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