Rodoviários da Carris entregam projeto à Prefeitura na tentativa de evitar privatização da companhia

Rodoviários da Carris entregam projeto à Prefeitura na tentativa de evitar privatização da companhia

Reunião aconteceu na tarde desta segunda-feira entre representantes da categoria e do Município

André Malinoski

Encontro ocorreu no Paço e teve duração de uma hora

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Os rodoviários da Carris entregaram na tarde desta segunda-feira um projeto à Prefeitura de Porto Alegre, para que a privatização da companhia não entre na pauta de votação dos próximos dias na Câmara de Vereadores. Dez representantes da categoria, entre os quais o líder dos trabalhadores da Carris, Marcelo Weber, a integrante da Associação dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Passageiros de Porto Alegre, Rosangela Pires Machado, o delegado sindical Maximiliano Fromming da Rocha, além dos vereadores Karen Santos e Matheus Gomes, foram recebidos pelo secretário de Mobilidade Urbana, Luiz Fernando Záchia, e pelo presidente da Carris, Maurício Cunha, entre outros. O prefeito Sebastião Melo não participou do encontro.

• Acesse as propostas encaminhadas pelos rodoviários

Após mobilização defronte da sede da empresa, no bairro Partenon, funcionários e representantes do sindicato da categoria partiram pelos corredores de ônibus das avenidas Bento Gonçalves e  João Pessoa, cruzaram o Túnel da Conceição e seguiram pela avenida Mauá em direção à Prefeitura, onde chegaram às 13h25min. No Paço Municipal houve manifestação contra a possibilidade de votação nos próximos dias do projeto de lei 013/21 que pretende desestatizar a Carris. Conduzindo uma grande faixa, onde se lia “Carris unida jamais será vendida!”, os participantes do ato cantavam canções como “O cobrador é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”. Na semana passada, a Câmara aprovou a extinção gradual da função na Capital. 

Com bandeiras e cartazes, os manifestantes ficaram posicionados em frente ao Paço. “Diziam que a gente não tinha um projeto. Pois estamos aqui para sermos recebidos e entregarmos o projeto de manutenção da Carris pública”, afirmou Marcelo Weber. Gritos como “Tá tudo errado, a Carris é do povo e não do empresário” davam o tom da manifestação. Faixas exibiam mensagens como “Somos todos Carris! Somos todos cobradores” e “A Carris é do povo! Não à privatização”. Pessoas que transitavam pelo Centro Histórico paravam para acompanhar o que acontecia. “Queremos que o projeto de desestatização da Carris seja retirado de votação”, pediu Rosangela Pires Machado. 

Os protestos também ocorreram em função da extinção gradual dos cobradores. A manifestação do sindicato dos rodoviários na vigília em frente à sede da companhia e depois o protesto na Prefeitura tiveram a participação de estudantes e do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e de grupos de esquerda. Sobre a votação da semana passada, do projeto que prevê a retirada gradual dos cobradores dos ônibus, o clima era de revolta. “Foi uma baita sacanagem e ainda não queriam deixar a gente entrar na Câmara de Vereadores para acompanhar como votariam”, lembrou a cobradora Joice da Paz. 

Vereador critica proposta da Prefeitura e não vê avanço no transporte

O vereador Matheus Gomes esperava que a reunião desta segunda-feira proporcionasse a construção do diálogo sobre o tema. “A proposta do prefeito Sebastião Melo é destruir o que existe, não significa avanço no transporte público. Tampouco a privatização, em que não há sequer estudo sobre os impactos da privatização da Carris”, explicou. Pouco depois, durante a reunião que iniciou às 14h10min, o vereador também revelou que “a presença militar excessiva durante a manifestação dos funcionários da Carris na frente dos portões da companhia causou constrangimentos aos trabalhadores.”

O delegado sindical da Carris, Maximiliano da Rocha, foi taxativo em sua manifestação durante o encontro: “Foi um absurdo a maneira como o projeto de extinção dos cobradores foi votado. A Câmara de Vereadores não podia receber os funcionários? Como se a cidade inteira está com tudo aberto? Quase 3 mil postos de trabalho já foram extintos, e agora a Prefeitura deseja acabar com mais 2 mil. E vocês dizem que a privatização é boa. Quero saber como”, questionou.

Presidente da Carris critica greve

Por sua vez, o presidente da Carris, Maurício Cunha, afirmou que “a maioria dos funcionários da Carris foi trabalhar desde que foi decretada a paralisação. É uma minoria que está insatisfeita. Por isso estamos aqui discutindo com essa minoria”. Ele citou os prejuízos acumulados pela Carris em função da pouca circulação dos ônibus: “O projeto de lei não vai acabar com o emprego de ninguém. Existe um pânico um pouco exagerado”, opinou.

O secretário de Mobilidade Urbana, Luiz Fernando Záchia, após olhar o projeto entregue pelos representantes dos funcionários da Carris, comentou que “há concordância entre nós e vocês em vários pontos”. Záchia argumentou que “a Carris faz parte do sistema de transporte. E este sistema precisa ser remodelado. Temos que olhar o presente e projetar o futuro.” A vereadora Karen Santos questionou Záchia sobre a bilhetagem eletrônica e acerca dos números da crise no transporte coletivo da Capital.

Prefeitura não prometeu prazo de resposta

O encontro teve fim às 15h10min. Não foi dito pelos representantes da Prefeitura quando o prefeito Melo daria uma resposta sobre o projeto entregue pelos manifestantes. Uma carta assinada por dez vereadores da oposição, intitulada “Porto Alegre precisa de ônibus que funcionem bem e com passagens baratas”, também foi encaminhada ao prefeito.

A Justiça do Trabalho determinou que 65% da frota dos ônibus deve permanecer em serviço à disposição dos usuários nas ruas da cidade. Em caso de descumprimento da determinação, o sindicato pode ser multado em R$ 20 mil por dia. O prefeito Sebastião Melo ameaçou cortar o ponto e o salário daqueles que não acatarem o acordo judicial enquanto durar a greve da Carris.


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