Agricultores de Farroupilha vão à Itália para aprender sobre kiwi

Agricultores de Farroupilha vão à Itália para aprender sobre kiwi

Intercâmbio permitiu a gaúchos trabalharem com produtores italianos e conhecer novas formas de cultivo

Celso Sgorla

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Os cinco jovens agricultores da Farroupilha, município da Serra Gaúcha, que passaram 30 dias na cidade de Latina, na Itália, voltaram no mês passado cheios de vontade de seguir trabalhando na agricultura e especialmente na produção de kiwi.

Edevilson Pozza, Júnior Marchet, Edgar Antônio Dal Pizzol, Fernando Miguel Regalin e Bruno Girelli participaram do Programa de Formação Técnica em Inovação no Agronegócio, na cidade de Latina.

Na Itália eles ficaram divididos em três propriedades, duas de kiwi e uma de uva e desenvolveram a parte teórica e prática como condução e manejo de pomares de uva de kiwi. “A viagem nos abriu uma nova visão para o cultivo do kiwi. A fruta que existia aqui é totalmente diferente da que existe lá. Lá é um novo patamar. Temos muita coisa parecida aqui, o nosso solo é até mais completo, então é possível adaptar. Com a ajuda de todos e com a nossa vontade vamos mudar e fazer o kiwi produzir novamente em Farroupilha”, ressaltou Junior Marchet, que na propriedade em Farroupilha trabalha com frutas de caroço, kiwi e uva.

Voltar a ostentar o título de Capital Nacional do kiwi é o desejo de Bruno Girelli. “Essa será uma nova era para a capital nacional do kiwi. Fomos lá pensando no que fazer para reduzir os danos da doença que atinge os nossos pomares. Mas chegamos lá e nos deparamos com um problema muito pior, mas que eles se adaptaram, aprenderam a lidar e ainda assim trabalham com qualidade. Esse é o pensamento chave que tem que entrar na cabeça do produtor de kiwi farroupilhense, pensar mais em qualidade e menos em quantidade. ”

Cultura na região foi prejudicada por fungo
A cultura do kiwi em Farroupilha tem sido muita prejudicada nos últimos anos em função do fungo Ceratocystis Fimbriata. Ele tornou-se um dos principais responsáveis por devastar os pomares. Ainda sem cura encontrada, a doença tem avançado cada vez mais sobre a área plantada. Conforme dados da Emater de Farroupilha, desde 2011, ano em que foi registrada a maior produção da fruta no município com duas mil toneladas, até o momento, o espaço cultivado diminuiu 26%.

No ano passado, cerca de 1,5 mil das 3,6 mil toneladas produzidas no Rio Grande do Sul foram dos pomares de Farroupilha.

O Secretário Municipal do Desenvolvimento Rural, Ricardo Bicca Ferrari, disse que o objetivo do intercâmbio é fazer com que os jovens agricultores sejam multiplicadores de seus conhecimentos em Farroupilha, viabilizando o emprego de novas tecnologias no desenvolvimento da agricultura local, sobretudo na produção de kiwi e uva. Além disso, esse convênio tem a finalidade de oferecer mais oportunidades para os jovens se fixarem na propriedade.

“Agora vamos organizar palestras com os produtores em diferentes localidades de Farroupilha, afinal, esse é objetivo da formação, que eles repassem seus conhecimentos sobre novas tecnologias que podem contribuir para o desenvolvimento da agricultura local. E a prioridade será sempre do jovem agricultor”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Rural.

Para a viagem à Itália, a prefeitura de Farroupilha forneceu o transporte aéreo, as despesas com hospedagem e curso de formação. Já os alunos se responsabilizaram com alimentação, transporte na cidade, seguro viagem e despesas pessoais.
 

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