Ciclone ameaça cultivos no Litoral do RS

Ciclone ameaça cultivos no Litoral do RS

Fortes ventos, chuvas, frio e geada podem comprometer produção hortifrutigranjeira

Maria Amélia Vargas

Fortes ventos, chuvas, frio e geada podem comprometer produção hortifrutigranjeira

publicidade

A proximidade de um ciclone subtropical no litoral gaúcho deixa em alerta os produtores de hortifrutigranjeiros da região neste início de semana. Segundo o mais recente Boletim Integrado Agrometeorológico – elaborado em conjunto pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Emater/RS-Ascar e Irga –, a expectativa é de fortes chuvas e rajadas de vento que podem superar os 100km/h. Além disso, as temperaturas inferiores a 12 °C e a possibilidade de geadas podem prejudicar algumas culturas.

Para o vice-presidente da Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas (Coomafitt) e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três Forquilhas, Bruno Engel Justin, nesse período do ano há uma escala maior de produção de hortaliças e legumes que sofrem com a geada. “O cultivo de tomate na rua, por exemplo, pode gerar perda de 100%. E, no caso do cultivo protegido em estufa, a estrutura pode ser atingida pela ventania. Estes fatores, agravados pela recente estiagem, impactam diretamente nos preços dos alimentos”, aponta.

Entre as plantações litorâneas, os bananais são tradição no Estado e costumam sofrer com estes intempéries. Apesar de estar na quarta geração da família a cultivar a fruta em solo gaúcho, a produtora Diana Hahn Justo afirma ficar sempre apreensiva quando enfrenta estas condições climáticas. “A banana é espécie para clima tropical e fica sempre muito exposta. Por isso, o frio atrasa bastante a produção e o vento pode trazer perdas. Para evitar estas quebras, temos o cuidado da escolha das áreas mais protegidas, o plantio é feito em locais de quebra-ventos e usamos sacos para cobrir os cachos”, pondera.

No entanto, o técnico da Emater/RS- Ascar, Gervásio Paulus, acredita em um baixo impacto nas lavouras de ciclos curtos, “pois a grande maioria está no intervalo entre o final da safra de verão e o início da safra de inverno”. De acordo com o especialista, o frio já era esperado, mas não com tanta intensidade. “Para algumas espécies, como hortaliças folhosas, os prejuízos podem ser maiores. Outras são favorecidas com o frio, como as maçãs, as peras e as uvas”, analisa.



Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895