CNA defende juros abaixo de dois dígitos para Plano Safra

CNA defende juros abaixo de dois dígitos para Plano Safra

Volume de crédito precisa ser amplo para permitir aumento de produção e conter inflação dos alimentos, diz dirigente

Patrícia Feiten

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Na espera pelo anúncio do Plano Safra 2022/2023, ainda sem data nem valores confirmados pelo governo federal, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende que os juros aplicados às linhas de crédito do programa fiquem abaixo dos dois dígitos. Segundo o diretor técnico da entidade, Bruno Lucchi, taxas inferiores a 10% ao ano são prioritárias para os pequenos e médios produtores, que foram os mais impactados pela escalada de preços dos insumos desde o ciclo 2021/2022 e precisam de crédito barato para manter os pacotes tecnológicos adotados nas últimas safras.

No Plano Safra em curso até o dia 30 de junho, as linhas do Pronaf, voltadas aos agricultores familiares, envolvem juros anuais de 3% a 4,5%, enquanto as do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) operam com taxas de até 6,5% ao ano. “O que queremos é um plano safra robusto, para termos maior oferta de alimentos principalmente para o brasileiro no próximo ano, amenizando um pouco dessa inflação que segue em alta”, explica Lucchi. Para o executivo, o setor agropecuário enfrenta atualmente um “cenário de guerra”, gerado pela pandemia de covid-19 e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que desorganizaram as cadeias de abastecimento no mundo e desencadearam uma série de aumentos.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, negocia com a equipe econômica do governo para o Plano Safra 2022/2023 um orçamento de pelo menos R$ 320 bilhões, dos quais cerca de R$ 22 bilhões seriam destinados à equalização de taxa de juros das linhas subsidiadas. Esse montante, afirma Lucchi, foi estimado levando em conta as altas projetadas para a Selic, o juro básico da economia, hoje em 13,25% ao ano. “Acreditamos que há espaço para aumentar mais (a Selic), a pressão inflacionária não será fácil de resolver, mas o ministro está superalinhado com as nossas propostas, a equipe dele também”, observa Lucchi.

A expectativa da CNA é que o plano seja anunciado na próxima semana. Apesar da demora no lançamento do programa, Lucchi acredita que os recursos possam estar disponíveis aos produtores já a partir de 1º de julho. No entanto, pondera, tudo dependerá das resoluções referentes ao plano aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que poderão exigir dos bancos mais tempo para adequação de seus sistemas. “Se for para uma boa negociação, não teria problema em perder uma semana do plano, para termos bons números que vão agradar ao setor”, observa Lucchi.



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