Correio Rural Debates: Alimentar o mundo é desafio e oportunidade

Correio Rural Debates: Alimentar o mundo é desafio e oportunidade

No terceiro dia do ciclo, participantes apontaram caminhos para a produção agropecuária sustentável

Correio do Povo

Debate foi apresentado pelo jornalista Sandro Fávero

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A previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) de que a população mundial chegará a 10 bilhões de pessoas até 2050, com 70% delas vivendo nas cidades, aparece no horizonte da agropecuária brasileira como uma responsabilidade e também uma grande oportunidade, que impõe a necessidade de aumentar a oferta de alimentos preservando a terra e o ambiente para as futuras gerações. Foi o que apontaram os participantes da terceira e última rodada do ciclo Correio Rural Debates, que discutiu “Os Desafios da Produção Sustentável”, ontem, com apresentação do jornalista Sandro Fávero, nos estúdios da Rádio Guaíba, e intervenções e respostas on-line dos convidados, em diferentes cidades do país, nesta quarta-feira.

Ao abordar a questão “como garantir a segurança alimentar de todos de forma sustentável”, o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, José Francisco Martins, destacou a “intensificação produtiva” como orientação básica do plano diretor da empresa. “Temos de ir ao encontro da bioeconomia e pensar não só na produção, mas também na qualidade e na distribuição dos alimentos porque às vezes há pessoas até passando fome e há sobra de comida ao mesmo tempo”, sugeriu.
Para Eduardo Condorelli, superintentende do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Rio Grande do Sul (Senar/RS), a previsão da ONU soa como um grande desafio para o Brasil. “Os outros têm dificuldades enormes para desenvolver sua agricultura, seja por clima, solo ou questões culturais”, comparou, lembrando que nosso país não tem esses problemas e conta com disposição para o trabalho e disponibilidade de área e água.

“O desafio é grande, mas não é novo” lembrou, de São Paulo, o gerente de sustentabilidade da Syngenta, Guillermo Carvajal, citando o dado que hoje há no mundo 1 bilhão de pessoas em condições de desnutrição. “Acreditamos que é possível suprir (os alimentos), mas isso tem que ser feito produzindo mais com menos, trazendo a tecnologia certa para os cenários certos”, comentou. “As práticas sustentáveis serão a saída para atingir os resultados necessários.” 

O diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Alencar Paulo Rugeri, concordou que o futuro é promissor. “Estamos vivendo uma oportunidade ímpar”, definiu. O diretor agropecuário da Cotrijal, Alexandre Doneda, que falou de Não-Me-Toque, ressaltou que para atender a previsão da ONU o mundo terá de produzir 20% a mais e que, neste contexto, o Brasil, pelas condições que tem, deve produzir 40% a mais. “Para não precisar abrir mais áreas, isso passa pela eficiência produtiva, conhecimento, tecnologia e inovação”, reiterou.

Práticas

Entre as práticas sustentáveis que já estão sendo adotadas, Martins citou o fortalecimento de sistemas integrados com focos em mais de uma cultura, como ocorre nas terras baixas do Sul do Estado, onde a soja entrou na rotação com o arroz e pecuaristas, sobretudo voltados ao leite, apostam na criação concomitante com cultivos florestais. Condorelli sustentou que o desafio é encontrar tecnologias adequadas para cada realidade e manter os recursos naturais disponíveis para as futuras gerações. Carvajal recordou que a Syngenta cumpriu as metas da primeira etapa de um plano de agricultura sustentável que elaborou e segue para a segunda etapa com planos de trabalho em quatro frentes (introdução de tecnologias para produtores, conteúdo ambiental, componente social e parcerias). Rugeri destacou que há como minimizar perdas, que ainda são grandes, em armazenagem e transporte. Doneda fez um relato do funcionamento das iniciativas de sustentabilidade da Cotrijal, que, em conjunto com prefeituras, vai às escolas discutir sustentabilidade. 

Entre elogios à sustentabilidade brasileira, os debatedores também repetiram algumas críticas às dificuldades para obter licenças. “Não temos caos ecológico generalizado no Brasil”, observou Condorelli. “Mas algumas etapas dos processos autorizativos para o uso de recursos naturais se tornam verdadeiras gincanas; ganha quem consegue superar os obstáculos delas e não quem vai trabalhar melhor”, prosseguiu. “O produtor rural é um legalista e se sente mal se não cumprir a legislação”, afirmou, observando que isso faz com que muitos evitem enfrentar a dificuldade do licenciamento e desistam de investir. 

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