Cultivares podem definir as diferenças na safra do trigo

Cultivares podem definir as diferenças na safra do trigo

Ensaio da Fundação Pró-Sementes e Farsul mostrou que, dependendo da escolha, rendimento por hectare pode ser de 29 sacas a mais

Danton Júnior

Qualidade do trigo tem melhorado e expectativa é que cultivo seja ampliado

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A diferença de produtividade entre duas cultivares de trigo diferentes, semeadas nas mesmas condições, pode chegar a 29 sacas por hectare, o equivalente a R$ 2.233,00 – considerando-se o preço de R$ 77,00 pela saca. O exemplo, que refere-se a experimento realizado em Cachoeira do Sul, faz parte dos Ensaios de Cultivares em Rede (ECR), conduzidos em sete regiões do Rio Grande do Sul pela Fundação Pró-Sementes com apoio da Farsul. Os resultados obtidos na safra 2020 foram divulgados ontem e estão disponíveis nos sites das entidades promotoras, com o objetivo de orientar o produtor rural quanto à escolha da cultivar mais produtiva para a sua região.

Na região mais fria do Estado, a campeã de produtividade foi a cultivar TBIO Ponteiro, que fez render 148 sacas de trigo por hectare em Vacaria. A área experimental foi semeada no dia 22 de julho de 2020, mais tarde do que o normal em função do excesso de chuvas.

Já na área mais quente, o título ficou com TBIO Audaz, com 135 sacas por hectare em lavoura implantada no dia 28 de maio em Cachoeira do Sul. Ao todo, 29 cultivares de trigo de diferentes obtentores foram avaliadas. A semeadura ocorreu entre maio e julho e a colheita em outubro e novembro do ano passado.

Apesar dos números, a produtividade média das lavouras gaúchas ainda está muito distante do que foi obtido nos experimentos. Na última safra, o Rio Grande do Sul colheu cerca de 40 sacas por hectare, em média.
“Isso indica que temos muito a caminhar, não só na escolha da cultivar, mas em investimento em tecnologia. A cultura do trigo é muito minuciosa e está muito mais exposta a riscos climáticos do que a soja", afirmou a coordenadora de pesquisa da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl.

Pelo segundo ano, a pesquisa avaliou a também a qualidade tecnológica do trigo produzido no Estado. Entre os itens pesquisados estão a cor da farinha, força de glúten, índice de queda e proteína do grão. “Não adianta ter um trigo altamente produtivo que não seja o que o moinho quer”, justificou Kassiana.

Segundo o coordenador da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, a qualidade do trigo tem crescido, mesmo com as adversidades climáticas. “Acabou aquele mito de que a Argentina tinha melhor trigo do que o Rio Grande do Sul”, ressaltou. O dirigente disse acreditar que a área de trigo poderá saltar para 1,1 milhão de hectares na próxima safra, mesmo com aumento nos custos de produção. O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, destacou a importância do ECR para um Estado que possui regiões de solo e clima muito diversificados.


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