Denúncias de deriva crescem no ano

Denúncias de deriva crescem no ano

Número de casos apontados até agora multiplica por 3,6 os do mesmo período em 2019

Cíntia Marchi

Folhas de rúcula ficaram esbranquiçadas depois de serem atingidas por deriva de Clomazona, em Itaqui

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A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) recebeu, entre agosto e 22 de outubro, 33 denúncias de deriva de agrotóxicos em culturas sensíveis no Estado. O número é três vezes maior neste momento, se comparado com o mesmo período do ano passado, quando chegaram ao órgão nove reclamações de produtores rurais.

Ao investigar as denúncias, os fiscais identificaram que 13 tiveram sintomas característicos de herbicidas hormonais, como o 2,4-D, alvos das Instruções Normativas emitidas pelo Estado no ano passado. Em outros 14 casos, há suspeitas de danos causados por defensivos não-hormonais: ingrediente ativo Clomazona (7), usado na cultura do arroz; glifosato (2), aplicado nas áreas de soja e milho, e Paraquate (5), produto que tem o uso de estoques permitido no país somente até julho de 2021. Em outras seis denúncias, não foi possível classificar visualmente o produto suspeito.  

A maior parte das denúncias ocorreu do final de setembro até o momento, período que coincide com a preparação das lavouras de verão. O chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários (Disa) da Seapdr, Rafael Lima, lembra que em novembro do ano passado houve uma disparada no número de casos, o que gera uma expectativa sobre como serão as próximas semanas. Há denúncias de deriva nas culturas da ameixa, uva, alfafa, rúcula, citros, tabaco, milho, tomate, morango, cebola, trigo, pêssego, melancia e outros. Para Lima, o aumento das reclamações formais que têm chegado à Seapdr, em relação a 2019, demonstra que os produtores estão muito atentos aos sinais de deriva e buscando a responsabilização dos culpados.

FISCALIZAÇÃO

Segundo Lima, todas as queixas recebidas estão sendo fiscalizadas. No local, a equipe coleta amostras das culturas danificadas e as encaminha para o laboratório responsável. No caso de ser identificado de imediato o lindeiro que causou o estrago é lavrado auto de infração. Há situação, acrescenta o chefe da Disa, que os produtores do entorno são fiscalizados e que muitos, mesmo sem terem sido responsáveis pela deriva, são multados por descumprirem as regras das INs, como ter deixado de declarar a aplicação do herbicida hormonal à Seapdr e de anotar no caderno de campo dados sobre dias, horários e a cultura tratada. Isto vale para os 24 municípios alvos das INs. Já, nas demais cidades do Estado, legislações estaduais e federais são usadas para classificar os flagrantes e autuar os infratores.

Lima destaca ainda que os nomes dos produtores autuados estão sendo repassados ao Ministério Público Estadual para planejamento de outros tipos de fiscalização, incluindo órgãos ambientais. “Sabemos que é a minoria dos produtores que não cumpre as leis, mas temos que coibir assim mesmo para não haver a sensação de impunidade”, complementa.

Os 33 casos de deriva ocorreram em São Borja, Tavares, Cacique Doble, Santa Clara do Sul, Itaqui, Itatiba do Sul, Ibiraiaras, Lagoa Vermelha, Caçapava do Sul, Piratini, Dom Pedrito, Caseiros, Maçambará, Cacequi, Cachoeira do Sul, Sant’Ana do Livramento, Doutor Maurício Cardoso,  Lavras do Sul, Vale do Sol, Santiago, Jaguari e Maximiliano de Almeida.


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