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Energia solar mais viável

Aumento da demanda por crédito para instalação de sistemas de geração fotovoltaica foi visível na Expodireto deste ano. Interesse do produtor deve-se à economia e sustentabilidade

Por
Cíntia Marchi

Airton Francisco Lange diz que redução de custos será convertida em investimentos na propriedade

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Depois de estudar por dois anos a possibilidade de investir em energia solar, o produtor rural de Não-Me-Toque, Airton Francisco Lange, fechou um financiamento para adquirir e implantar a tecnologia em sua propriedade, durante a 20ª Expodireto Cotrijal. Pesou para a decisão a vantagem da economia. Este é um dos benefícios mais citados para a elevação do interesse por este tipo de operações, percebida ao longo de toda a feira.

“O valor que eu gasto hoje com a conta de luz vai embora todo mês, e agora vou converter isso em um investimento permanente na minha propriedade”, diz Lange que, em cinco anos, pretende quitar o empréstimo de R$ 22,9 mil feito por meio uma linha oferecida pelo Sicredi.
Nos primeiros dois meses de 2019, o Sicredi liberou R$ 48,7 milhões em financiamentos voltados à energia fotovoltaica, com o fechamento de 715 contratos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O valor já supera tudo o que a instituição financiou em 2017, quando foram liberados R$ 29 milhões. Segundo o gerente do Sicredi em Carazinho, Carlos Eduardo de Freitas, somente na Expodireto Cotrijal a agência recebeu demanda de R$ 1,3 milhão em financiamentos dessa modalidade de crédito.

Para o consultor de negócios da Central Sicredi Sul-Sudeste, Leandro Wallau, a alta demanda pela tecnologia, tanto por parte de moradores e empresas das zonas urbanas quanto de produtores rurais, está ligada principalmente à redução de custos. Outros fatores que tornam atrativo o investimento, segundo ele, é a disponibilidade de irradiação solar, a isenção de ICMS para a energia fotovoltaica e uma maior concorrência entre as empresas que têm entrado no mercado.

Wallau acredita ainda que o decreto assinado pelo ex-presidente Michel Temer no final de 2018, retirando os subsídios da energia elétrica no campo, pode ter ajudado a despertar mais o interesse do produtor pela energia solar.  Segundo Wallau, quem mais procura a tecnologia no meio rural são produtores que querem reduzir gastos com o uso das ordenhadeiras, pivôs de irrigação e secadores de grãos.

Lange, o produtor de Não-Me-Toque, explica que o seu projeto gerará energia para atender à demanda da sua residência na zona urbana, do seu empreendimento de floricultura e também da casa, galpão e equipamentos que tem na área rural, onde planta soja, trigo e cevada. “Hoje gasto cerca de R$ 500 por mês na conta de luz. Agora, vou reduzir muito isso investindo em energia sem impacto ambiental”, calcula. 

A gerente da agência Oeste do Sicredi em Não-Me-Toque, Franciele Alberton, diz que a questão ambiental ligada à energia fotovoltaica é um argumento sempre lembrado pelos produtores. O agricultor e empresário Gilmar Thume, que já instalou 16 painéis solares em sua propriedade de Carazinho, prestou atenção nisso. “Além de ter um retorno financeiro desta fonte de energia, estou me adequando à questão da sustentabilidade”, destaca.

Segundo Wallau, tem sido fechados contratos que variam de R$ 7 mil a mais de R$ 1 milhão. Olhando para o potencial de mercado, o Sicredi trabalha com linhas subsidiadas pelo governo federal, mas também injeta recursos próprios neste nicho.