Entidades defendem mais prazo para usar Paraquate

Entidades defendem mais prazo para usar Paraquate

A partir de 22 de setembro, produção, importação, comércio e aplicação do princípio ativo estarão proibidos pela Anvisa no Brasil

Correio do Povo

A soja é a principal cultura agrícola e fonte de renda do Brasil e de seus produtores rurais

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A produção, importação, comercialização e utilização de produtos feitos à base do ingrediente ativo Paraquate serão proibidas no Brasil a partir de 22 de setembro. Este é o prazo determinado pela Resolução 177, de 2017, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, há três anos, finalizou a reavaliação toxicológica do herbicida e deliberou pelo seu banimento, alegando riscos de Doença de Parkinson e mutagenicidade em células germinativas naqueles trabalhadores que manipulam o produto.

Segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, um grupo de entidades busca reverter esta decisão, uma vez que o Paraquate é um produto muito usado pelos produtores rurais no controle de plantas daninhas de folha larga e estreita em lavouras como as de milho e soja. Lopes explica que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e as empresas fabricante de defensivos criaram uma força-tarefa e passaram a apoiar reestudos do ingrediente ativo que estão sendo feitos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para demonstrar a segurança do produto. Em função da pandemia, porém, a conclusão das pesquisas não acontecerá antes de setembro.

“Ficamos na expectativa que a Anvisa postergue este prazo para depois da nova safra para que possamos apresentar os reestudos”, diz o dirigente. A Anvisa, em nota, informou que não tem “nenhuma informação sobre a prorrogação desse prazo”. Segundo Lopes, reavaliações do Paraquate feitas na Austrália, em 2016, e nos Estados Unidos, em 2019, provaram que não há relação do herbicida com as doenças informadas na reavaliação toxicológica feita pela agência nacional.

Sem o Paraquate, a Aprosoja Brasil estima que os custos de produção crescerão acima dos R$ 400 milhões no Brasil, com quedas de produtividade. O presidente da Aprosoja/RS, Décio Teixeira, disse se preocupar com os impactos. “Cada vez que temos que buscar um produto novo nosso custo cresce”, lamenta. “Não temos herbicida substituto com o mesmo patamar de preço”, afirma Teixeira.


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