Campo cada vez mais inovador e tecnológico
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Campo cada vez mais inovador e tecnológico

O Correio do Povo Rural abordou as constantes evoluções da era digital e as atividades automatizadas

Por
Henrique Massaro

Durante o encontro, debatedores destacaram a facilidade dos jovens e salientaram a importância de um planejamento tecnológico da propriedade


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As constantes evoluções da era digital chegam muitas vezes primeiro ao agronegócio do que a outros setores da economia. Internet das coisas, inteligência artificial e sistemas embarcados são conceitos que já há algum tempo vêm ganhando espaço em máquinas agrícolas e na gestão de propriedades rurais. Nesta edição da Expodireto Cotrijal, a inovação ganhou ainda mais espaço. A criação da Arena Agrodigital, que reúne empresas, universidades e startups, é o grande símbolo da tecnologia no evento. O uso de equipamentos que tornam a agropecuária uma atividade mais automatizada e precisa foi a temática do segundo encontro do ciclo de debates Correio do Povo Rural, realizado na Casa do Correio do Povo/Grupo Record RS. Entre as inúmeras possibilidades de um campo mais tecnológico, destacou-se, por exemplo, a maior adesão dos jovens às atividades agropecuárias, garantindo a sucessão rural.

De produtores experientes buscando a constante atualização até jovens cada vez mais entusiastas, a Arena Agrodigital tem reunido os mais diversos públicos interessados na inovação no agronegócio. O superintendente administrativo-financeiro da Cotrijal, Marcelo Schwalbert, disse que a avaliação do espaço, que começou a ser idealizado em outubro do ano passado, é extremamente positiva e que a tendência é de crescimento nos próximos anos. “Um dos objetivos da Arena foi esse: trazer as empresas referências do setor”, reiterou. 

Schwalbert citou a presença de jovens no espaço montado para a inovação dentro da feira em função da necessidade de sucessão. A dificuldade que a geração anterior encontrou em passar o trabalho no meio rural para seus filhos está mudando graças à presença da tecnologia, que atrai novos produtores. “O jovem é quem vai tocar as propriedades nos próximos anos, é a sucessão que está aí na agricultura e esse jovem nasceu praticamente conectado. Quando começamos a discutir coisas que parecem futurologia, para ele é muito mais fácil”, avaliou.

 

 

Na mesma linha, o gerente comercial da LS Tractor, Astor Kilpp, afirmou que as grandes mudanças nas propriedades rurais virão pelas mãos dos jovens, pela facilidade de manipulação das novas tecnologias que eles têm e pela mentalidade de que se trata de uma necessidade para tornar o negócio mais rentável. Kilpp explicou que a tecnologia já faz parte do agronegócio há anos e que vem crescendo no que se refere à gestão de frota. “Temos sistema de telemetria e sensoriamentos na máquina que vão fornecer dados on-line ou de final de ciclo, com capacidade de entregar informações para tomar decisões muito mais assertivas para investimentos de renovação de frota, máquina ou aquisição de equipamentos, se for necessário”, comentou. 

O coordenador de inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Renan Santos, acrescentou que a importância de atrair as novas gerações para o agronegócio também está na otimização do uso de tecnologias. Por já ter nascido no mundo digitalizado, o jovem se adapta melhor que produtores antigos. “Existe muita tecnologia e o produtor precisa saber o que ele precisa”, ponderou. “Acho que precisa dessa racionalidade, dessa frieza, de saber, conhecer o negócio e aí ir atrás. Não pode adotar tudo.”

O CEO da Essent Agro, Giandrei Basso, acrescentou a essa questão o fato de que há também uma diversidade de 4,1 milhões de produtores rurais no Brasil. Para o debatedor, o próximo passo para que a inovação esteja presente no campo é que os produtores tenham bom conhecimento de suas terras, de seus negócios e metas, para que não tomem decisões baseadas na emoção frente a uma novidade. “O assédio tecnológico é gigantesco, porém o produtor não consegue agregar todas essas tecnologias para a sua realidade. É preciso escolher muito bem para que se tenha resultados”, disse.

O vice-presidente do Sicredi, Gervásio Jorge Diel, também chamou a atenção para a importância da gestão. Explicou que, antes de qualquer tecnologia, basta papel e caneta para se fazer o dever de casa e mensurar riscos. “A tecnologia é necessária? É, mas é preciso calcular a viabilidade na propriedade, fazer um plano de negócio, de retorno de investimento, da capacidade de investir ou não”, recomendou.