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Dispersão de agroquímicos provoca polêmicas no campo

Diferentes instituições levaram orientações sobre a correta aplicação dos produtos aos visitantes da Expodireto

Por
Carmelito Bifano

Técnicos da Senar demonstraram em um simulador como deve ser feita a aplicação de defensivos para evitar perdas de produto e danos à propriedade e à vizinhança

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Uma das principais preocupações do campo na atualidade, a discussão sobre a correta aplicação de agrotóxicos esteve presente na 20ª  Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. Durante os cinco dias da feira, empresas, instituições ligadas ao agronegócio e universidades promoveram palestras e ações para evitar a má utilização dos produtos químicos.

O debate ganhou força principalmente depois que viticultores e criadores de abelhas passaram a reclamar de problemas decorrentes da deriva do 2,4-D, o que inclusive levou a Secretaria da Agricultura a criar um grupo de trabalho para discutir a utilização do herbicida, comum no cultivo da soja. 

Desenvolvido desde julho de 2018, o programa Deriva Zero foi apresentado ao público da Expodireto pela primeira vez pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS). Durante a feira, demonstrou-se a forma correta da aplicação de produtos químicos. Usando um simulador, os instrutores exemplificaram como os ventos, a pressão das gotas e os diferentes tipos de bico podem influenciar o resultado das intervenções nas lavouras.

Segundo o Senar, entre os problemas decorrentes da má aplicação dos químicos estão a deriva do produto, que pode chegar a quilômetros de distância, se espalhar por propriedades vizinhas, provocar prejuízo financeiro para o agricultor e frustrar a produtividade esperada para o cultivo. 

A Emater, por sua vez, utilizou seu espaço na feira para orientar o produtor com dicas de como usar os equipamentos de forma correta. Entre as informações consideradas importantes estão a regulagem do pulverizador e a escolha da ponta certa para cada momento de aplicação, seja no uso de herbicidas, inseticidas e fungicidas.

Técnicos da Emater utilizaram um equipamento que demonstra as diferenças das “bicos” dos pulverizadores e como eles devem ser usados. “São detalhes que servem para o produtor fazer uma escolha certa das pontas e das condições climáticas para definir o momento ideal de iniciar e terminar a aplicação, para resultar em uma melhor eficiência e evitar a deriva”, revelou Fabrício Veit Klering, extensionista rural e especialista na tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.

Durante os meses de maio, junho e setembro, a empresa de extensão rural oferece cursos de tecnologia de aplicação. As primeiras três edições tiveram lotação máxima. Nelas os interessados assistem a dois dias de aulas teóricas e práticas sobre o tema. A preocupação também pode ser vista nas empresas privadas, na área do parque destinada ao setor de insumos.

Bayer mostrou um “hotel” projetado para preservar mais de 3 mil espécies brasileiras de abelhas sem ferrão | Foto: Guilherme Almeida

A Bayer apresentou na feira o Hotel de Abelhas, que visa preservar mais de 3 mil espécies brasileiras de abelhas sem ferrão. Nele, o inseto polinizador entra nas diferentes estruturas como madeira, bambu, feno e terra, local preferido das meliponas, e se reproduz. “A abelha entra no buraco, fecha com uma cera, a cria nasce, come o pólen e sai, o que atende à necessidade da manutenção da biodiversidade, que é uma das preocupações da empresa”, explicou Cláudia Quaglierini, engenheira agrônoma e gerente de políticas agrícola da Bayer. A ideia é que o “hotel” seja colocado próximo de lavouras.