Fórum do Trigo apresenta alternativas para uma cultura em crise
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Fórum do Trigo apresenta alternativas para uma cultura em crise

Entre as soluções apontadas estão a redução de custos, exportação e planejamento

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Correio do Povo

Fórum do Trigo apresenta alternativas para uma cultura em crise

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O Fórum do Trigo, que ocorreu na terça-feira, no Auditório Central da Expodireto, debateu alternativas para os triticultores aumentarem a produtividade e a lucratividade da cultura. O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, destaca que os gargalos para o trigo devem ser analisados sob o ponto de vista econômico. “Temos que olhar as questões agronômicas, mas não podemos negligenciar a realidade econômica. Caso contrário, vamos continuar vendo a área do trigo diminuir”, alerta.

Luz pondera que o custo de produção no Brasil é elevado em comparação com outros países. “O custo é muito alto e perdemos competitividade. Somos autossuficientes em todas as culturas, mas importamos trigo. É um problema que não será resolvido com apenas uma alternativa”, diz.

Além do elevado custo de produção, o economista reitera que a produtividade da lavoura de trigo é baixa, o que faz com que os produtores brasileiros sejam os únicos do mundo a acumular prejuízos na lavoura. “Nosso custo de produção não é o mais elevado do mundo. Ficamos atrás de países da Europa. No entanto, os custos são muito altos para a produtividade que temos. Precisamos melhorar a produtividade baixando o custo de produção”, frisa.

Luz destaca, ainda, que os insumos são mais caros do que em outros países. O economista alerta que o Brasil está perdendo competitividade não apenas na cultura do trigo. “É mais caro produzir soja, arroz e milho no Brasil do que na Argentina, por exemplo. Falta para o produtor brasileiro e distribuidores de insumos a liberdade para comprar onde é mais barato”, finaliza.

O analista de mercado agropecuário Luiz Carlos Pacheco, da Consultoria Trigo e Farinhas, concorda que os custos de produção do trigo são elevados. Pacheco sugeriu planejamento pelos próximos 10 anos. “Temos que pensar em médio e longo prazo. Rússia, Argentina e Estados Unidos fizeram e deu certo”, diz.

Segundo Pacheco, é necessário analisar três fatores: produção, administração e comercialização. Para o analista, é fundamental melhorar a comercialização do produtor brasileiro. “O foco é voltado para a produção e pouco para a comercialização. Se uma das pernas não vai bem, a casa cai e a nossa está torta. Estamos longe de conseguir bons resultados por falta de boa estrutura de comercialização no país. O produtor tem que investir na comercialização como investe na produção”, cita.

O analista destaca que o modelo da soja deve ser copiado pelo trigo: exportação. “É uma alternativa de comercialização para o produtor. O agricultor não é produtor de trigo, soja e milho. É produtor de lucro”, conclui.

O pesquisador da Embrapa, João Leonardo Fernandes Pires, abordou a produção do trigo gaúcho. Pires apresentou os resultados do segundo ano da pesquisa de alternativas para o cereal. O projeto, que é uma parceria entre FecoAgro/RS e Embrapa Trigo, de Passo Fundo, foi desenvolvido em campos experimentais da Coopatrigo, em São Luiz Gonzaga, da Cotricampo, em Campo Novo, da Cotrirosa, de Santa Rosa, e da Cotripal, de Panambi, além de uma área da Embrapa em Coxilha.

Pires também elencou o custo de produção como um dos problemas e citou a possibilidade de diversificação com o trigo exportação, que traz novas técnicas de manejo. A variação da redução de custos verificada no estudo ficou entre 8,98% e 24,3%. No primeiro ano, a redução máxima foi de 18,7%. “Com ajustes no custo de produção, todos saem ganhando”, afirma.

Conforme o pesquisador, foram realizadas pequenas alterações de manejo entre as estações de testes. No estudo, foi utilizada a cultivar BRS Reponte nas áreas destinadas ao trigo para exportação. Desde o início de 2016 a FecoAgro/RS vem defendendo a diversificação da produção como forma de dar alternativas ao produtor.