A Operação 365, programa de melhoria da qualidade do solo desenvolvido pela Embrapa Trigo e pela Rede Técnica Cooperativa da CCGL, esteve no foco das discussões do 6º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água nesta terça-feira (8), no segundo dia da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. Conduzido pelos pesquisadores José Eloir Denardin, da Embrapa Trigo, e Jackson Fiorin, da CCGL, o painel “Operação 365 – Índice de Qualidade no Manejo”, apresentou a metodologia do projeto e destacou práticas agrícolas capazes de aumentar a rentabilidade no campo e, ao mesmo tempo, amenizar o impacto de problemas climáticos como a estiagem.
Lançada em novembro de 2021, a Operação 365 busca incentivar os agricultores a manter o solo coberto ao longo de todo o ano, explicaram os palestrantes. A meta do projeto é acompanhar 30 talhões agrícolas por meio de cooperativas no Rio Grande Sul na safra 2021/2022. O grau de qualificação de cada sistema produtivo é mensurado pelo Índice de Qualidade do Manejo, e técnicos capacitados pelo programa atuam como certificadores de talhões de excelência quanto ao uso das práticas recomendadas. A iniciativa tem apoio do Banrisul e oferece linhas de financiamento especial aos agricultores participantes.
Em sua explanação, Denardin detalhou aspectos que determinam a fertilidade dos solos, destacando as vantagens trazidas pela aposta em três safras em um mesmo ano agrícola. “Não adianta ter disponibilidade de nutrientes se não houver acessibilidade, se não houver fluxos no solo”, explicou o pesquisador. Segundo Denardin, a fertilidade em áreas manejadas sob o sistema de plantio direto está ligada à adição de material orgânico, que promove a atividade biológica – esta, por sua vez, estabiliza a estrutura da terra e permite às raízes dos cultivos terem acesso aos nutrientes. “A melhoria do solo não começa com processos químicos, mas com um manejo diferenciado do que se faz hoje”, disse Denardin.
O painel teve a participação do analista da Embrapa Trigo Giovani Faé e do gerente de pesquisa da CCGL, Geomar Corassa, como debatedores. Faé lembrou o compromisso assumido pelo Brasil durante a COP 26, conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), de redução de 50% das emissões dos gases do efeito estufa até 2030 e neutralização das emissões de carbono até 2050. Na visão do analista, o agro é “parte da solução” e deve aproveitar a “oportunidade ambiental” que cada região oferece para a intensificação agrícola, em termos de radiação solar. Com o plantio de duas a três safras por ano, afirmou, é possível obter uma renda maior no inverno do que com os cultivos de verão. “Nossa terra está cada vez mais cara; se eu jogar tudo numa safra só, o risco é maior”, observou Faé.
Corassa enfatizou que a preocupação global com a questão climática exige “ação local”. Ao mostrar estudos sobre ganhos de produtividade resultantes da rotação de culturas, o pesquisador disse que será cada ver mais difícil prever o comportamento do clima e que a resposta do setor é tornar o sistema produtivo mais resiliente. “É
fácil culparmos o clima (por quebras de safra), mas mais de 50% (do potencial produtivo) está nas nossas mãos”, ressaltou