Prejuízos com a estiagem no Rio Grande do Sul já atingem R$ 4,84 bilhões

Prejuízos com a estiagem no Rio Grande do Sul já atingem R$ 4,84 bilhões

Dados apresentados pela Emater indicam que RS está na iminência de ingressar no status de estado em condições de seca

Nereida Vergara

Balanço foi apresentado pelo diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri

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Sem previsão de chuva para os próximos 15 dias, o Rio Grande do Sul está na iminência de ingressar no status de Estado em condições de seca. A preocupante notícia foi confirmada nesta terça-feira pelo secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho, durante a coletiva convocada pela Emater para redimensionar as expectativas da safra 2019/2020, anunciadas inicialmente durante a Expointer do ano passado.

Pelas condições climáticas atuais, que ainda não são consideradas de seca e sim de estiagem por que atingem pontos isolados e representam produtividades desiguais, o Estado já está perdendo, em dinheiro, R$ 4,84 bilhões somente nas culturas da soja e do milho. 

De acordo com o diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, a quebra na soja, até o momento, é de 16,2% na produção, projetada para 16,53 milhões de toneladas, contra os 19,74 milhões de toneladas estimados inicialmente. A produtividade da oleaginosa, em função da falta de chuvas, também caiu 16,4%, de 3,31 toneladas por hectare para 2,77 toneladas por hectare. "Este é um quadro que pode piorar se de fato não chover nos próximos 15 dias, período em que as plantas estão em enchimento de grão", reflete Rugeri, que voltou a dizer que a situação da safra de verão gaúcha é realmente tensa. 

No caso do milho, as perdas estão ainda maiores em relação a estimativa inicial. Apenas no milho grão, onde a projeção apresentada em 2019 na Expointer era de uma colheita de 5,94 milhões de toneladas, a queda apontada, com base nos dados coletados entre 16 e 29 de fevereiro nos escritórios da Emater no Estado, foi de 21,1%, levando a um expectativa de colheita 4,69 milhões de toneladas. A produtividade média teve uma redução de 22,3%, caindo de 7,7 toneladas por hectare para 5,9 toneladas por hectare. O milho é das culturas de verão a que mais sofre com estresse hídrico, tem apenas cerca de 15% da área plantada  de 783 mil hectares cobertos por irrigação.

No total, a safra de grãos do Rio Grande do Sul está projetada até o momento em 28,72 milhões de toneladas, 8,8% a menos que a safra 2018/2019, que chegou a 31,49 milhões de toneladas de grãos.

O arroz, entre as grandes culturas, foi a que até o momento apresentou menos impacto em razão da estiagem, pelas próprias características do cultivo, totalmente irrigado. A projeção inicial indicava que o arroz chegaria a uma produção de 7,5 milhões de toneladas, mas estima-se agora que chegue a 7,4 milhões de toneladas, numa redução de 1,5%. A produtividade, neste caso, aumentou, passando de 7,81 toneladas por hectare para 7,83 toneladas por hectare. A área plantada com arroz apresentou diminuição de 1,8%, passando de 961,3 mil hectares para 944 mil hectares, o que indica que o ajuste na produção está mais ligado à queda na área do que propriamente aos impactos da estiagem.

O diretor técnico da Emater avalia que a situação climática do Rio Grande do Sul neste ano tem particularidades que não se viam no Estado há muito tempo, no que diz respeito a desuniformidade das chuvas. "Há locais em que chove mais, outros menos e as vezes localidades próximas onde uma colhe 20 sacas por hectare e outra 80 sacas por hectare", comentou.

 

Setor pressiona por socorro

Ontem, na abertura da Expodireto, as entidades saíram frustradas com o discurso da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Segundo ela, o governo está olhando para o cenário climático no Rio Grande do Sul e estudando formas de atender as demandas apresentadas até o momento, mas não sinalizou com qualquer solução.

O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, não disfarçou a irritação com a inexistência de avanços. "Foi frustrante a fala da ministra, a quem, na manhã desta segunda-feira, entregamos um novo documento reforçando as dificuldades pelas quais estão passando os produtores. Dizer que o governo federal está olhando para o agricultor é fácil, mas e agir?", reclamou Joel.


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