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Produtor deve começar a discutir alternativas para elevar o teor da proteína na soja

Alerta é do professor e pesquisador Elmar Luiz Floss, diretor do Instituto de Ciências Agronômicas, de Passo Fundo

Por
Halder Ramos

Grão tem usos múltiplos, entre os quais o de fonte de óleo energético e comestível

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O produtor de soja brasileiro precisa criar consciência de que é necessário aumentar o teor de proteína no grão. O alerta é do professor e pesquisador Elmar Luiz Floss, diretor do Instituto de Ciências Agronômicas, de Passo Fundo. Conforme Floss, o mercado internacional exige índices maiores de proteína do que os alcançados pela soja nacional.

O professor observa que o mercado chinês havia reclamado da deficiência ao Ministério da Agricultura em maio de 2017. “O teor ideal varia de 37% a 43% de proteína. O boletim da Embrapa, que é de 2010, demonstra que das 860 amostras avaliadas, o único Estado que alcançou o percentual foi Santa Catarina”, adverte.

O pesquisador diz que o consumidor não paga mais pela soja com maior teor de proteína, mas salienta que o grão mais proteico tem maior peso do que o usado para a produção de óleo. Com o aumento da produtividade, segundo Floss, a soja brasileira passou a ter mais óleo. “O mundo quer soja com pouco óleo e muita proteína. Isso logo será diferencial. Com grãos mais pesados, ganhamos em produtividade. Temos que fazer um amplo debate com Embrapa, Emater e cooperativas para mostrar que a soja brasileira está fazendo um esforço para ter mais proteína”, conclama.

Para aumentar o teor de proteína da soja, o professor defende, entre outras medidas, que o produtor amplie a quantidade de nitrogênio na lavoura. “O produtor precisa repensar o processo. Quando planta a soja sobre a palha de milho, trigo ou aveia, ele deve compensar a pouca quantidade de nitrogênio. São necessários cinco quilos de nitrogênio por tonelada de palha para evitar a inibição do crescimento inicial. Em locais onde a soja é plantada sobre leguminosas, é liberado mais nitrogênio e de forma mais rápida”, sugere.

O pesquisador não teme que o mercado chinês deixe de consumir a soja brasileira em função de déficit proteico. No entanto, frisa que é importante a busca por outros mercados. “Eles possuem uma demanda tão grande que não deixarão de comprar do Brasil, mas não podemos ficar na dependência da China. O Brasil foi beneficiado pelo atrito entre Donald Trump e os chineses, mas eles podem fazer as pazes e a China voltar a comprar soja dos americanos, o que vai reduzir nosso mercado”, analisa.

O vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad, pondera que não existe classificação para a soja, mas ressalta que respeita o conhecimento técnico e a experiência de Floss. “Se existir exigência de mercado, teremos que buscar uma melhoria no teor da proteína. O professor Floss é um profundo conhecedor e precisamos ficar atentos ao que ele diz”, comenta.

Konrad cita os vários aproveitamentos da soja, como na produção de óleo energético e comestível, e lembra que até os resíduos são uma fonte rica em proteína. “Se o mercado chinês está pendendo para o maior percentual de proteína, vivenciaremos em breve nova realidade”, reconhece.