Venda do leite do Brasil depende da ampliação da produção e melhora da matéria-prima
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Venda do leite do Brasil depende da ampliação da produção e melhora da matéria-prima

Estudo feito pela Embrapa Gado de Leite apontou que é a região Sul do país que tem viabilidade para exportar

Por
Cíntia marchi

o setor de exportação de leite deve se recuperar após instabilidade enfrentada no ano passado

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Quinto maior produtor mundial de leite, o Brasil exportou em 2017 apenas 0,6% da sua produção inspecionada de lácteos. Mesmo prejudicado pelo baixo consumo interno em decorrência da crise, o setor não ampliou suas vendas externas, tendo fechado os últimos anos com déficit na balança comercial.

No entanto, é justamente o mercado externo que é visto como uma das vias para dois pontos fundamentais para a cadeia de leite: estabilidade nos preços e continuidade da expansão do setor. Estudo feito pela Embrapa Gado de Leite apontou que é a região Sul do país que tem viabilidade para exportar.

Em visita à 20ª Expodireto Cotrijal, o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, explicou que não é todo o Brasil que tem condições de embarcar lácteos para outros países. Por isso, defende a elaboração de políticas públicas regionalizadas para os estados considerados mais competitivos. “Na Região Sul estão os municípios que têm produtividade por vaca compatível com a da Europa”, diz Martins. “E há uma densidade maior, já que várias propriedades estão próximas, com boas produtividades, o que facilita e torna mais barata a captação pelas indústrias”, acrescenta.

Atualmente, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com mais alta produtividade de leite. Em 2016, a produção anual por vaca foi de 3,1 mil litros, em média, enquanto que a média nacional cai para 1,7 mil litros, segundo o IBGE. Em Não-Me-Toque e Passo Fundo, a produtividade é de 4,4 mil a 4,6 mil litros por vaca ao ano.

Mesmo acreditando que o Brasil não será grande exportador de lácteos, já que conta com a vantagem da alta demanda interna, Martins explica que é importante parte da produção nacional ser vendida para fora. “Todo produto que participa do mercado externo tem maior estabilidade de preços. A cotação da soja, do milho, do frango, por exemplo, é estável porque se traz para o mercado interno a estabilidade internacional”, observa. 

Em 2018, segundo o Ministério da Economia, o Brasil exportou 10 mil toneladas de lácteos, enquanto importou 96 mil toneladas. “Toda vez que tivermos excesso de leite aqui e o preço estiver caindo, temos que colocar o produto com mais intensidade no mercado internacional, mas, para isso, tem que haver continuidade, tem que ter política de longo prazo”, argumenta Martins. 

Kalkmann afirma que é insustentável o produtor receber preços remuneradores durante três ou quatro meses no ano e depois sofrer com valores depreciados | Foto: Guilherme Almeida

O produtor de leite em Westfália, no Vale do Taquari, Elimar Kalkmann, que visitou a Expodireto na quinta-feira, concorda que o Brasil precisa, pelo menos, equilibrar a balança comercial do leite. Disse ser insustentável, hoje, o produtor receber preços remuneradores durante três, quatro meses no ano e depois sofrer com valores depreciados.

Admite que, embora ache rigorosas as normas do Ministério da Agricultura sobre qualidade, desconhece as exigências feitas pelos países. “Só que para nós, pequenos produtores, profissionalizarmos mais ainda a produção precisamos fazer investimentos pesados e aí é que está o problema”, ressalva Kalkmann. 

Estudo da embrapa aponta rumos

Apesar de já estar presente no mercado internacional, o Brasil tem diversos gargalos para resolver e consolidar uma participação mais efetiva. Dentro da porteira, o estudo da Embrapa apontou que é preciso ampliar a produção por propriedade, bem como a qualidade do leite. Fora da porteira, entre os fatores que tiram a competitividade das exportações está a tarifação alta de insumos. 

Produtor de leite há 21 anos em Erval Seco, Norte do Estado, Eleandro Volpatto, acredita que sem redução dos custos dos insumos o pequeno produtor não alcançará competitividade. Ele concorda que é necessária a melhoria da qualidade da matéria-prima. “Hoje a qualidade é baixa e para resolver isso o produtor tem que ter acesso à assistência técnica”, pontua. 

Outro problema levantado pelo estudo é a guerra fiscal. O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, diz que pelo fato de cada Estado ter uma política tributária diferente dos demais é difícil a existência de grandes plantas de laticínios no país como ocorre, por exemplo, na Nova Zelândia. “A guerra fiscal exige que as empresas façam fábricas em diferentes Estados para explorar as condições tributárias de cada um deles. Isto é muito danoso”, completa.