Futuro da cadeia produtiva de carne deve ser sistemas de intensificados

Futuro da cadeia produtiva de carne deve ser sistemas de intensificados

Acesso a mercados mais exigentes foi uma das alternativas projetadas no último dia da Jornada Nespro, que integrou a programação da Expointer Digital

Taís Teixeira

Segundo especialistas, o Brasil é um dos principais produtores de carne barata no mundo

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O painel de lançamento do relatório “O Futuro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina Brasileira: uma visão para 2040” encerrou hoje a XV Jornada Nespro, que ocorreu nos dias 1º e 2 de outubro, de forma virtual, na Expointer Digital. O documento apresenta tendências, cenários e megatendências para o Brasil a partir de uma mudança que inclui todos os elos da cadeia produtiva.

O coordenador e pesquisador do Centro de Inteligência da Carne Bovina (Cicarne) da Embrapa Gado de Corte, Guilherme Cunha Malafaia, disse que um dos objetivos é entrar em mercados mais exigentes, como países da União Europeia, Japão e Coreia do Sul, sendo os dois últimos inacessíveis para a carne bovina do Brasil. “O Brasil é o maior produtor de carne barata do mundo”, afirma. 

O pesquisador disse também que o Brasil recebe 40% a menos do preço pago por quilo para os Estados Unidos, realidade que pode mudar com a implementação de sistemas intensificados, que reúne pecuária, agricultura e floresta. “Muda o padrão de vazio econômico a partir do momento em que se possibilita uma pecuária integrada e não mais isolada”, esclarece.

O presidente da Federação Brasileira de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Leonardo Lamachia, e o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, participaram do painel. Gedeão Pereira afirma que o setor vive a “terceira onda”, que, no Rio Grande do Sul, indica um avanço da lavoura de soja na área de pecuária, o que é um benefício ao melhorar o solo para nutrição animal, como pastagem, e um prejuízo por reduzir hectares para o gado. “Por isso a importância desse sistema intensificado”, afirma. O dirigente  ainda avalia que todo o agronegócio brasileiro entrará em um período de transformação e que o país é reconhecido como potência agrícola. “A pandemia reforçou isso porque não faltou comida nas gôndolas de supermercados, as exportações aumentaram e estamos vendendo para cerca de 200 países”, enfatiza.  

O uso de tecnologias que economizam a terra, com um número maior de animais por unidade de área, e uma sofisticação do consumidor são algumas das tendências constatadas. O público, que hoje valoriza aspectos intrínsecos, como cor, sabor, maciez e marmoreio, deve se interessar pelas  características extrínsecas. “Certificação, rastreabilidade e sustentabilidade serão considerados na escolha”, explica.

O desenvolvimento do relatório levou dois anos e foi construído por meio uma metodologia que analisou a contribuição de 150 especialistas e mais de 700 drivers de futuro para a constituição do documento.

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O coordenador do Nespro, Júlio Barcellos, afirma que esse foi o painel mais representativo dessa edição do evento. “A Embrapa e o Ministério da Agricultura consideraram que esse era a principal atividade do Brasil para a cadeia produtiva de carne bovina e aproveitaram para lançar esse relatório, que também traz diretrizes que as entidades políticas e de classe devem seguir com vistas ao futuro”, reitera.


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