Frigoríficos deixam de usar toda a capacidade instalada

Frigoríficos deixam de usar toda a capacidade instalada

Indústria entende que ociosidade é decorrência de redução do rebanho bovino, exportação de animais vivos e expansão de lavouras no Estado

Patrícia Feiten

Estoque de animais vivos caiu para 10,9 milhões de cabeças, calcula Sicadergs

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A queda na utilização da capacidade instalada das plantas industriais vem preocupando os frigoríficos gaúchos. De acordo com o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), o cenário de ociosidade é decorrente de uma combinação de fatores ocorridos nos últimos cinco anos, como a diminuição do rebanho gaúcho, as vendas de animais vivos para outros países e estados e a expansão das lavouras. O baixo consumo de carne também colabora para a diminuição do volume de abates.

Um levantamento feito pela entidade mostra que o estoque de animais vivos no Estado caiu de 13,6 milhões em 2016 para 10,9 milhões em 2020. Entre 2016 e 2021, mais de 1 milhão de bovinos saíram do Rio Grande do Sul, afirma o diretor executivo do Sicadergs, Zilmar Moussalle. “Isso deixou de ser abatido aqui. Como abatemos 2 milhões (de animais por ano), nos últimos cinco anos saiu metade do que abatemos num ano todo”, compara. Com base no preço médio de venda do bovino abatido, de R$ 6.234,60, o Sicadergs estima que nesse período os frigoríficos gaúchos deixaram de gerar uma receita de R$ 6,3 bilhões.

O fluxo de saída de bovinos, porém, teve uma acentuada queda neste ano – somadas, as exportações e as vendas a outros estados brasileiros passaram de 331.366 exemplares em 2020 para 36.083 neste ano, até o momento. Esse recuo elevou a oferta no mercado interno e derrubou os preços do boi, o que obrigou os frigoríficos a reduzir os valores na venda de carne ao comércio. “O varejo não mexeu no preço da ponta”, destaca Moussalle. Esse conjunto de circunstâncias não alterou o consumo, que continuou baixo, o que, segundo Moussalle, leva o frigorífico a reduzir abates. “Aí faz férias coletivas, fecha temporariamente, reduz o quadro (de funcionários)”, diz o dirigente, observando que a recente interrupção das exportações de carne à China também elevou a oferta interna e impactou os preços.

Segundo Moussalle, a indústria vem discutindo soluções no âmbito da Câmara Setorial da Pecuária de Corte. Ele alerta que as dificuldades dos frigoríficos se refletem em outras cadeias, como as indústrias de embalagens, couro e calçados.


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