Mourão defende novos mercados em palestra na Farsul

Mourão defende novos mercados em palestra na Farsul

Em Porto Alegre, vice-presidente afirma que Brasil precisa de uma política agrícola horizontalizada

Correio do Povo

Hamilton Mourão ressaltou necessidade de garantir preços mínimos

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Em visita a Porto Alegre nesta quinta-feira (12), o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, fez uma palestra a produtores rurais na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Mourão, que chegou por volta de 12h30 e falou por cerca de 30 minutos, traçou um cenário do Brasil pós-pandemia, destacando questões que considera fundamentais para que o país concretize a vocação de “celeiro do mundo”. Em sua explanação, defendeu a busca de novos mercados para os produtos agrícolas brasileiros e a melhor utilização dos recursos hídricos.

Após defender avanços nas reformas tributária e administrava, Mourão contou que, na última segunda-feira, ao falar sobre a Amazônia a um grupo de militares norte-americanos, foi questionado sobre o potencial brasileiro de conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – neste ano, o Brasil assumiu uma vaga não permanente no colegiado, com um mandato de dois anos. “Nós temos um poder que é ao mesmo tempo ‘soft power’ e ‘hard power’, que é o poder de alimentar pessoas”, disse o vice-presidente, sob aplausos dos produtores. “Ninguém pode sentar na mesa com o mundo para discutir segurança alimentar se o Brasil não estiver (presente), e nós ainda não avançamos nas nossas capacidades”, concluiu.

Para o vice-presidente, o país precisa adotar uma política agrícola horizontalizada e uma garantia de preços mínimos, além de ser mais “agressivo” no mercado externo. “Existem milhões de pessoas que têm dificuldade em termos de segurança alimentar, na África, no Oriente Médio, no sul da Ásia; temos que levar nossos produtos para lá”, afirmou. Outros temas abordados foram a legislação ambiental e a preservação da Amazônia. “Temos de derrubar algumas barreiras de regulamentação que nos amarram nas questões de licenciamento, tem de haver uma visão mais estratégica daquilo que é a proteção ao maior patrimônio que temos, que é a terra”, disse Mourão, citando a necessidade de revisão das leis para possibilitar, por exemplo, investimentos em sistemas de reservação de água nas propriedades rurais. “A água hoje é um ativo importantíssimo no mundo inteiro”, enfatizou.

A atração de parcerias privadas para alavancar investimentos em infraestrutura, com base em “regras claras” e na garantia de segurança jurídica, também é considerada decisiva pelo vice-presidente. “Vai permitir que aumentemos a produtividade, que o nosso produto chegue mais barato; e o produtor, tendo um lucro maior, vai investir mais”, disse Mourão. Ao final de sua palestra, o vice-presidente, que coordena o Conselho Nacional da Amazônia Legal, lembrou a polêmica gerada pelo Projeto de Lei 2633/20, apelidado de “PL da Grilagem”. Aprovado em agosto do ano passado, o texto facilita a regularização fundiária de terras ocupadas no Brasil. “Na Amazônia, temos 1 milhão de produtores, de propriedades rurais que não têm título. Conseguimos entregar neste ano em torno de 140 mil títulos”, comentou.



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