Nuvem de gafanhotos vira preocupação para gaúchos
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Nuvem de gafanhotos vira preocupação para gaúchos

Depois de atacar lavouras no Paraguai, insetos estão em Santa Fé, na Argentina, e avançam para o Leste, em direção à fronteira com o Brasil

Por
Carolina Pastl (sob supervisão de Elder Ogliari)

Imagens captadas em países vizinhos têm poucas chances de serem vistas no RS


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A nuvem de gafanhotos que vem destruindo lavouras no Paraguai e na Argentina desde maio está na região argentina de Santa Fé, a 250 quilômetros da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, e passou a ser monitorada por órgãos públicos ligados à agropecuária no Brasil. Caso a nuvem chegue ao Estado, poderá atacar culturas emergentes de trigo, aveia e cevada, além de citros, oliveiras e pastagens de gado de leite e de corte. Segundo o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina, em um quilômetro quadrado, até 40 milhões de insetos podem comer pastagens equivalentes ao que duas mil vacas consomem num dia.

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) está acompanhando a situação, mas considera a possibilidade de ingresso dos gafanhotos no território gaúcho como remota, tendo em vista a previsão de chuva e frio para a próxima semana. “O que motiva o deslocamento (dos insetos) é o vento no sentido Oeste para Leste e altas temperaturas”, explica Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapdr. Como os gafanhotos estão alados, ele também afirma que não devem causar tantos danos, já que a pior fase é quando estão ninfas e necessitam de mais alimentos para crescer.


A Seapdr e o Ministério da Agricultura estão redigindo protocolo de emergência caso o problema chegue ao país. O texto deve prever eventuais produtos fitossanitários e medidas de contenção. Caso algum produtor identifique a presença destes insetos em grande quantidade, o mesmo deve informar a inspetoria de defesa agropecuária da sua localidade. O último relato de um ingresso de gafanhotos nessas proporções no país ocorreu em na década de 70.