Ofensiva estremece mercados

Ofensiva estremece mercados

Petróleo e preços de contratos futuros subiram

Patrícia Feiten

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A ofensiva militar da Rússia contra a Ucrânia estremeceu os mercados agrícolas e trouxe apreensão quanto a impactos de uma escalada do conflito no agronegócio brasileiro. Nesta quinta-feira, subiram o petróleo e os preços de contratos futuros de trigo e milho na Bolsa de Chicago. Analistas e lideranças do setor temem que a crise afete os fluxos de exportação para o Ocidente e reduza a oferta de insumos do leste europeu.

O analista Luiz Fernando Gutierrez, da Safras&Mercado, lembra que Rússia e Ucrânia são grandes produtores de milho e trigo. “O fechamento dos portos ucranianos pode mudar a oferta desses dois países”, observa. O impacto esperado no Brasil, afirma, é que a alta dos preços dos dois grãos “puxe” também as cotações da soja.

O conflito poderá elevar os preços dos fertilizantes, uma vez que a Rússia é um dos maiores fornecedores globais, observa o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Marcelo Portugal. O país euro-asiático também é um grande produtor de petróleo, gás natural e níquel. “Se os países centrais resolverem não comprar, os produtos russos vão começar a faltar e o preço vai ficar mais caro”, avalia Portugal.

Para o economista e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Nilson Costa, o ataque à Ucrânia se insere em contexto mais amplo, que envolve a guerra comercial entre Estados Unidos e China. “Apesar das sanções (à Rússia), os mercados sofrem, mas continuam com a liquidez, o complicado é se o conflito passar a outro patamar”, observa. 

O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, lembra que “a Rússia também é cliente de commodities como carne de frango, suína e bovina” do Brasil. Por outro lado, avalia, uma redução dos embarques de trigo da Rússia ao Brasil poderia beneficiar os produtores gaúchos.


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