Proprietários do setor pecuário se adaptam ao novo modelo de inspeção privada

Proprietários do setor pecuário se adaptam ao novo modelo de inspeção privada

Produtores acreditam que sistema vai possibilitar mais investimentos e aumentar competitividade do setor

Cíntia Marchi

Inspetor privado terá que repassar ao fiscal público todos os dados de rotina da indústria

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A Indústria e Comércio de Carnes Vendrame, de Mariano Moro, na região do Alto Uruguai, está entre as empresas que já negociam a contratação da inspeção privada. O proprietário, Armando Vendrame, diz que a ideia é “liberar” o abatedouro da dependência do fiscal estadual, que nem sempre está disponível por atuar praticamente sozinho em toda a região. O empresário explica que, atualmente, não consegue trabalhar aos sábados ou feriados e nem aumentar os abates por conta da dificuldade de ter um servidor público no local em tempo integral.

Prestes a contar com um inspetor privado, Vendrame já planejou a ampliação das atividades e instalou, nos últimos dias, novas câmaras frias para triplicar o número de animais abatidos diariamente, de 29 para 92 bois ou de 67 para 200 suínos. “Queremos que o veterinário privado nos ajude a continuar fazendo a coisa certa. Vamos preservar isso porque há 20 anos estamos no mercado, primando por qualidade”, enfatiza.

A empresa Frigofar Indústria de Alimentos, de Farroupilha, na Serra Gaúcha, também deu início a uma pesquisa de preços junto aos prestadores do serviço para tentar fechar a contratação de um profissional habilitado. “O Estado nunca se negou a nos atender, não há falta de vontade das pessoas, mas o roteiro a ser seguido (pelos fiscais) é muito engessado e moroso”, justifica o executivo Álvaro Albino, pontuando que o setor de proteína animal precisa, muitas vezes, de retornos mais rápidos para não perder oportunidades no mercado. Albino também destaca que a opção pelo serviço privado deve-se a um quadro de escassez de servidores públicos que ele acredita que se agravará com o passar do tempo.

De modo geral, representantes do setor do agronegócio elogiam a iniciativa do Estado de implementar o novo modelo de inspeção. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado (Sicadergs), Ronei Lauxen, a novidade aparece como alternativa para as empresas que não tinham como ampliar suas jornadas de trabalho ou abrir novas plantas, já que o poder público não dispunha de fiscais para acompanhar o avanço desejado.

O dirigente acredita que não haverá prejuízo à imagem dos frigoríficos que adotarem a inspeção terceirizada. “Não vejo risco nenhum. As empresas vão ser inspecionadas por veterinários treinados e não haverá alteração nos procedimentos que já existem hoje”, ressalta.

O diretor executivo da Associação Gaú-cha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, diz que a modernização da inspeção é bem-vinda. “Não podemos ficar reféns de conceitos conservadores, quando o objetivo comum é aumentar a competitividade do Estado, e de maneira nenhuma desconsiderar o órgão público, que será o grande gestor e auditor da inspeção privada”, avalia.

O presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, considera o novo modelo seguro porque se baseou em iniciativas que existem há mais tempo nos estados de Santa Catarina e Paraná e também em outros países. “Um veterinário contratado fez o curso de Medicina Veterinária e os treinamentos tanto quanto o servidor público. Por que ele aceitaria algo que esteja em desacordo, se ele pode ser responsabilizado por aquilo?”, questiona.

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